18 de outubro de 2017

Tudo em aberto (mas muito complicado)


O Porto perdeu na Alemanha.
Não seria notícia porque o mais normal é as equipas portuguesas perderem contra equipas alemãs, sobretudo quando os jogos se realizam na Alemanha.
Desta vez foi o Porto e foi em Leipzig.
Num jogo entre segundos classificados dos campeonatos dos respectivos países na última época, a equipa alemã ganhou porque foi superior.
Se é efectivamente superior isso já é outra conversa.
Ontem foi, em todos os capítulos do jogo, e ganhou com justiça.
Sérgio Conceição, que tinha dito na conferência de imprensa que não era pago para fazer surpresas, resolveu surpreender.
Dar a titularidade a José Sá, num jogo de Liga dos Campeões, e deixar Casillas no banco, pode ser um voto de confiança no jovem guarda-redes.
Mas o momento para dar essa injecção de confiança foi muito mal escolhido.
E com consequências muito nefastas.
O sector defensivo do Porto, por norma forte, ontem tremeu bastante.
E começou a tremer com o primeiro golo dos alemães e com um erro crasso de José Sá.
Sérgio Conceição, no final do jogo, reconhecia essas falhas do sector defensivo do Porto no jogo de ontem.
E mostrava-se surpreendido com as mesmas.
Não querendo crucificar José Sá e Sérgio Conceição, muita dessa tremideira poderá bem ter passado pela aposta, precipitada e descabida (Sérgio Conceição afirmou inequivocamente que a decisão de deixar Casillas no banco foi estritamente técnica) num jovem e inexperiente guarda-redes em detrimento de outro que é "só" dos jogadores mais experientes na Liga dos Campeões.
Está tudo em aberto no grupo.
Mas muito complicado.
O Besiktas estará muito perto de se apurar.
As outras três equipas (sim, incluindo o Mónaco) lutam pela outra vaga na Liga dos Campeões.
Se isso é verdade, também não o será menos o facto de o Porto estar obrigado a ganhar ao Leipzig já daqui a duas semanas no Dragão. 

Soneto, obra-prima do trocadilho, escrito no século XVII por Frei António das Chagas (António Fonseca Soares) - reedição


CONTA E TEMPO

Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero fazer conta, e não há tempo.

Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta!

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta,
Chorarão, como eu, o não ter tempo...

17 de outubro de 2017

Cleptómanos


Diz-se cleptómano um indivíduo que sofre de cleptomania, um distúrbio que o leva a roubar compulsivamente, a ter um desejo mórbido de se apropriar de algo que não lhe pertence.
Só um distúrbio mental semelhante poderá explicar o comportamento de alguns taxistas em Macau.
Por mais que as multas sejam agravadas, que a vigilância aperte (será assim??), que a opinião pública se revolte, que as queixas se acumulem, uma série de indivíduos sem escrúpulos, muito provavelmente cleptómanos, insiste no acto de roubar (a violência não é física, é psicológica, é explorar ausência de alternativas).
O que leva a pensar que, para além de cleptómanos, serão também delinquentes por tendência.
Poucos dias depois de se terem conhecido queixas de turistas, que espalham a pior imagem de Macau aqui e nos locais de origem, tendo como origem o (péssimo) comportamento de alguns taxistas, eis que, aproveitando novo tufão, se chegou ao ponto de pedir 500 patacas por pessoa (por pessoa, não por corrida!!) para transportar passageiros que não têm outro meio de se deslocar.
Há muito que se ultrapassou o limite do admissível, do tolerável.
Tem que se dizer basta de uma vez por todas.
Como?
Começando a tirar esta escumalha das ruas de Macau caçando-lhes permanentemente as licenças de condução profissional.
Enquanto não houver coragem política para dar este passo, e efectivamente implementá-lo (the law in the books tem poucos efeitos com estes cleptómanos, terá mesmo que se recorrer à law in action) episódios verdadeiramente vergonhosos e revoltantes vão repetir-se e só terão tendência a agravar-se.

Francisco sobre: 4. o diálogo ecuménico e inter-religioso (Anselmo Borges)


Ainda os diálogos do Papa Francisco e de Dominique Wolton: Politique et société. Se há palavra que atravessa o livro todo é a palavra diálogo. "Como é que a Igreja poderia contribuir hoje para a mundialização?", pergunta Wolton. E Francisco: "Pelo diálogo. Penso que sem diálogo hoje não é possível. Mas um diálogo sincero, mesmo se for preciso dizer na cara coisas desagradáveis." Foi a avó que lhe abriu as portas da "diversidade ecuménica". Criança, viu umas senhoras do Exército da Salvação e perguntou: são freiras? "Não, são protestantes, mas são pessoas boas." De facto, marcou-o, pois, por exemplo, estamos a celebrar os 500 anos da Reforma e, pela primeira vez, isso acontece com católicos e protestantes, e, depois de tudo quanto na Igreja se tinha ouvido sobre Lutero - "os protestantes iam para o inferno" -, Francisco veio dizer que ele foi "um pioneiro religioso, uma testemunha do Evangelho e um mestre da fé... A intenção de Lutero foi renovar a Igreja, não dividi-la. Era um reformador. Havia corrupção na Igreja, mundanismo, obsessão pelo dinheiro, pelo poder". E encontrou--se com o patriarca de Constantinopla, pedindo-lhe a bênção, e com o de Moscovo.
O diálogo, e concretamente o diálogo inter-religioso, "não significa porem-se todos de acordo. Não. Significa caminhar juntos, cada um com a sua própria identidade". Wolton: "E, no diálogo com o Islão, não seria necessário pedir um pouco de reciprocidade? Não há verdadeira liberdade para os cristãos na Arábia Saudita e nalguns países muçulmanos. É difícil para os cristãos. E os fundamentalistas islamistas assassinam em nome de Deus." Francisco: "Eles não aceitam o princípio da reciprocidade. Alguns países do Golfo também são abertos e ajudam-nos a construir igrejas. Porque é que são abertos? Porque têm trabalhadores filipinos, católicos, indianos... O problema na Arábia Saudita é uma questão de mentalidade. Todavia, com o islão, o diálogo avança bem, porque, não sei se sabe, o imã da Universidade de Al--Azhar, no Cairo, Ahmed Mohamed el-Tayeb, veio visitar-me e eu retribuí a visita. Penso que lhes faria bem a eles fazerem um estudo crítico do Alcorão, como nós fizemos com a nossa Bíblia. O método histórico e crítico de interpretação fá-los-á evoluir."
Francisco reconhece, portanto, que para o diálogo inter-religioso é fundamental não tomar os livros sagrados à letra: é necessária uma leitura histórico- crítica. Outro princípio essencial para a liberdade religiosa e a paz entre as religiões tem que ver com a laicidade do Estado, isto é, o Estado não pode ser confessional, o Estado deve ser laico. Para garantir a liberdade religiosa de todos: ter esta religião ou aquela, nenhuma, poder mudar de religião. Francisco: "O Estado laico é uma coisa sã. Há uma sã laicidade. Jesus disse-o: é preciso dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Somos todos iguais diante de Deus." Mas laicidade não é laicismo. Neste, constrói-se "um imaginário colectivo no qual as religiões são vistas como uma subcultura". É necessário "elevar" um pouco o nível da laicidade mediante "a abertura à transcendência". Que quer dizer "um Estado laico "aberto à transcendência"? Que as religiões fazem parte da cultura, que não são subculturas. Quando se diz que não se deve colocar cruzes visíveis ao pescoço ou que as mulheres não devem levar isto ou aquilo, é uma estupidez. Porque uma e outra atitude representam uma cultura. Um leva uma cruz, outro outra coisa, o rabino a kipa, o papa o solidéu" [risos]. "Esta é a sã laicidade. Há exageros, nomeadamente quando a laicidade é colocada acima das religiões. Porventura as religiões não fazem parte da cultura? Serão subculturas?"
Wolton pergunta como é possível chegar ao diálogo com os ateus e os não crentes. Francisco responde que fazem parte da realidade. Há pontos de vista diferentes, mas "a realidade é a verdade". As pontes são o nosso diálogo. Mas deve partir-se da realidade, não da teoria, e "procurar juntos, é um caminho de busca. Procurar". Wolton insiste: "Seja como for, que fazer? Os ateus fizeram muito pela libertação social, política, pela democracia desde o século XVIII. O que é que a Igreja faz? A Igreja diz muitas vezes que "os espera". Mas se são ateus não precisam da vossa espera. Então, como dialogar? Que fazer com os ateus? Porque a Igreja matou muitos..." Francisco: "Noutras épocas, alguns diziam: "Deixai-os tranquilos, irão para o inferno."" Wolton: "Claro" [risos]. Francisco: "Mas nunca devemos falar com adjectivos. A verdadeira comunicação faz-se com substantivos. Isto é, com uma pessoa. Essa pessoa pode ser agnóstica, ateia, católica, judia..., mas isso são adjectivos. Eu, eu falo com uma pessoa. É um homem, é uma mulher, como eu. Um jovem perguntou-me na Polónia: "Que dizer a um ateu?" Respondi-lhe: "A última coisa que deverás fazer é pregar a um ateu. Tu deves viver a tua vida, tu escuta-lo, mas não deves fazer apologia". O diálogo deve fazer-se com a experiência humana. Podemos falar de muitos temas que temos em comum: problemas éticos, coisas humanas. Do que pensamos, dos problemas humanos, como comportar-se... Podemos debater sobre o desenvolvimento humano. E quando se chega ao problema de Deus, cada um diz a sua escolha. Mas escutando o outro com respeito... Podemos falar sem medo - tu és ateu, eu não... mas falemos. Ambos acabaremos no mesmo lugar. Seremos ambos comidos pelos vermes!"
Wolton: "O que é mais difícil: o diálogo ecuménico ou o diálogo inter-religioso?" Francisco: "Segundo a minha experiência, diria que o inter-religioso foi mais fácil do que o ecuménico. Tive muitos diálogos ecuménicos e gosto muito. Mas, se compararmos, o inter--religioso foi mais fácil para mim. Porque se fala mais do homem..." Wolton: "Quando se está próximo, tudo é difícil. Quando se está afastado, é mais fácil. É estranho."

DN 13.10.2017

16 de outubro de 2017

CÚMULOS


Qual é o cúmulo da incompetência ?
– Deixar o bichinho virtual escapar.

Qual é o cúmulo da lentidão?
– Fazer uma corrida sozinho e chegar em segundo.

Qual é o cúmulo da má pontaria ?
– Atirar uma pedra no chão e errar.

Qual é o cúmulo da ingratidão ?
– Dar ao seu pai um vidro com esperma e dizer: “Toma, agora eu não te devo mais porra nenhuma !”

Qual é o cúmulo da preguiça?
- Casar com uma mulher grávida de outro.
- Deitar-se numa rede e esperar que o vento a balance.

Qual é cúmulo da paciência ?
– Limpar o cu a um elefante com cotonetes!
– Catar piolhos com luvas de boxe!
– Colocar um cagalhão numa gaiola e esperar que ele cante!
– Esvaziar uma piscina com conta-gotas!

Qual é o cúmulo do absurdo?
– O mudo dizer para o surdo que o cego viu o aleijado correr.
-Ser atropelado por uma ambulância.

Qual é cúmulo da economia ?
-Usar o papel higiénico dos dois lados

Qual é o cúmulo da distracção ?
-Na lua de mel, levantar da cama, deixar 100 euros na mesinha de cabeceira e ir embora.

Qual é o cúmulo da rapidez?
– Fechar uma gaveta à chave e colocar a chave lá dentro.
– Cagar da janela do 25º andar de um edifício, descer a correr pelas escadas e ao chegar à rua olhar para cima e ver o cu a fechar.
– Ir ao enterro de um parente e encontrá-lo vivo.

Qual é cúmulo o da rebeldia?
– Morar sozinho e fugir de casa.

Qual é cúmulo o da traição?
– Suicidar-se com uma punhalada nas costas.

Qual é o cúmulo da vaidade?
– Engolir um baton para passar na boca do estômago.
– Comer uma rosa para enfeitar os vasos sanguíneos.

BOA SEMANA!

13 de outubro de 2017

Fases da vida


Eu acho que o ciclo da vida está virado todo de trás para a frente.

Nós deveríamos morrer primeiro, livrar-se logo disso.

Depois viver num asilo até ser chutado para fora de lá por estar muito novo.

Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar.

Então trabalhar 40 anos até ficar suficientemente novo para poder aproveitar a reforma.

Chega a época de curtir bastante, beber bastante álcool, fazer festas e fazer a preparação para a faculdade.

Depois a ida para a escola, ser criança, não ter nenhuma responsabilidade, tornar-se um bebezinho de colo, voltar para o útero da mãe e passar os seus últimos nove meses de vida flutuando.

Finalmente tudo terminar com um óptimo orgasmo!!!

BOM FIM-DE-SEMANA!

12 de outubro de 2017

Independència diferit


Carles Puigdemont proclamou a independência da Catalunha.
Para logo a seguir declarar independència diferit (independência adiada).
Entalado entre as ambições independentistas de uma parte do povo catalão, supostamente legitimadas por um referendo convocado à margem da lei e sem qualquer validade constitucional, e as pressões, internas e externas, dos que tratam a questão como secessão, Carles Puigdemont, a cara e a voz dos independentistas catalães, preferiu adiar uma qualquer tomada de posição definitiva.
E conseguiu com este passo supostamente agradar a todos sem efectivamente agradar a ninguém.
Os líderes do movimento independentista catalão perceberam que qualquer declaração unilateral de independência os deixaria isolados e estaria condenada ao fracasso.
Sem apoio externo, com uma forte oposição interna, inclusivamente a dar origem a tomadas de posição extremas (deslocação de empresas muito importantes no tecido económico catalão como maior exemplo dessa realidade), Carles Puigdemont carregou na tecla pause.
Entretanto, de Madrid, acentuavam-se o tom de reprovação e as ameaças.
Agora a ameaça de  invocar o artigo 155º da Constituição e suspender o estatuto autonómico catalão antes da convocação de eleições regionais.
A palavra diálogo vai sendo repetida à exaustão enquanto a realidade vai mostrando cada um a falar para seu lado.
Não é fácil prever o que acontecerá no futuro em Espanha agora que Carles Puigdemont declarou formalmente independència diferit e Madrid acentua a sua posição de força e a sua total oposição às ambições independentistas que chegam da Catalunha.
Mas não será muito arriscado prever que o caos político em Espanha  segue dentro de momentos.

Intemporais (88)

11 de outubro de 2017

Missão cumprida


Portugal bateu a Suíça e apurou-se directamente para o Mundial a realizar na Rússia no próximo ano.
Em boa verdade imperou a lei do mais forte e apurou-se quem era favorito.
Portugal, campeão europeu em título, tem a obrigação de vencer a Suíça.
E foi isso que ontem aconteceu.
Sem grandes brilhantismos, sem nota artística elevada, com alguma sorte (o autogolo deu um jeitão), com naturalidade.
Os suíços apresentaram-se no Estádio da Luz muito arrumadinhos, muito certinhos, muito fiáveis, muito à imagem dos célebres relógios que fabricam e tanta fama e fortuna deram ao país.
Pouco ou nada incomodaram os portugueses, os quais, por sua vez, apresentaram alguma dificuldade em fazer a máquina suíça emperrar.
Mesmo os relógios mais famosos e fiáveis precisam de manutenção e têm falhas.
Raramente, mas têm falhas.
E o relógio suíço falhou e escancarou as portas do apuramento aos portugueses.
Quando aquele autogolo aconteceu julgo que, se dúvidas houvesse acerca do apuramento directo, se terão dissipado naquele exacto momento.
Os suíços não ameaçavam, não se mostravam capazes de incomodar os portugueses.
Bastava ser paciente, inteligente, eventualmente esperar por nova falha num mecanismo bastante bem oleado.
Os Silvas (Bernardo e André) provocaram essa falha e o apuramento ficou selado.
Missão cumprida.

RERUM ESQUISITUM - (BOCA DO INFERNO - Ricardo Araújo Pereira)


Um grupo de teólogos conservadores acusou o Papa Francisco de heresia. Era previsível. O Papa tem dito coisas que fazem certos crentes benzerem-se – o que constitui uma operação teológica bastante paradoxal, em que o Papa simultaneamente estimula o comportamento moral e imoral. Mas também era previsível porque o ambiente geral é de identificação e condenação de heresias. Teólogos laicos igualmente puritanos já tinham acusado Chico Buarque de machismo e Ney Matogrosso de homofobia. Era uma questão de tempo até que teólogos religiosos acusassem o Papa de heresia.
Do ponto de vista teológico, a atitude destes últimos é mais arriscada: os teólogos laicos que acusaram Chico Buarque de machismo e Ney Matogrosso de homofobia limitaram-se a ir contra as evidências – e este tipo de teólogo nunca permitiu que as evidências modificassem a sua acção. Mas os teólogos que acusam Francisco de heresia estão em choque com um dogma. E o dogma tem, sobre as evidências, a grande vantagem de não precisar de ser evidente para se impor. Sucede que a infalibilidade papal é um dogma. Quando o Santo Padre faz deliberações em assuntos de moral e fé (que são as matérias que os teólogos contestam), nunca erra. 
A razão para isso é difícil de contestar: quando trata desses temas, o Papa é assessorado pelo Espírito Santo. Os teólogos que o acusam de heresia estão, por isso, a acusar de herege o Espírito Santo. É frequente depararmos com situações em que alguém é mais papista do que o Papa. Mas julgo que é a primeira vez que alguém é mais espiritosantista que o Espírito Santo.
Entre outras coisas, o Papa manifestou abertura para saber se os católicos divorciados que voltam a casar poderiam, contrariamente ao que se permite agora, voltar a comungar. Ter-se-á passado o seguinte: o Espírito Santo, tomando em consideração as mudanças sociais ocorridas nos últimos dois mil anos, terá segredado ao Papa que talvez não fizesse sentido manter proibições um bocadinho retrógradas. O Papa, tomando boa nota da sugestão do seu assistente, e provavelmente concordando com ela, resolveu levantar a questão. Foi então que vários teólogos, mentalmente menos jovens do que o Espírito Santo, se opuseram à medida. O Espírito Santo, segundo eles, não percebe nada das coisas sagradas. Como ateu, não saberia pronunciar-me. Mas talvez possam ter razão. Que o Papa seja dado a heresias é estranho, mas possível. Pelo menos mais provável do que a homofobia do Ney Matogrosso.

Crónica publicada na VISÃO 1282 de 28 de Setembro

10 de outubro de 2017

Discriminação positiva?


A recente proposta de diferenciar as tarifas de autocarros para os residentes permanentes e os não residentes foi apresentada como uma medida que teria como finalidade discriminar positivamente os residentes permanentes.
A definição mais comum de discriminação positiva ensina-nos que discriminação positiva é um tipo de discriminação que tem como finalidade seleccionar pessoas que estejam em situação de desvantagem tratando-as desigualmente e favorecendo-as com alguma medida que as tornem menos desiguais. É um processo que tem como objectivo tornar a sociedade mais igualitária diminuindo os desequilíbrios que existem em certos grupos sociais.
A proposta apresentada pelo Conselho Consultivo do Trânsito, aparentemente com a concordância do Executivo, parece caminhar em sentido rigorosamente oposto.
Não são os residentes permanentes, com melhores condições de vida e mais protecção social, que devem ser discriminados positivamente.
Se for essa a ratio legis então a proposta terá que ser toda reformulada e apresentar tarifas mais elevadas para os residentes permanentes e não para os residentes não - permanentes.
Uma proposta que não se entende, que está muito mal explicada, que não faz sentido nenhum.
Que tal parar um pouco para pensar?
Valerá a pena apresentar semelhante proposta?
Se for, e tenho sérias dúvidas que seja, terão que ser aduzidas razões muito concretas e ponderosas para o fazer.
Nunca, mas mesmo nunca, nos moldes agora dados a conhecer, discriminação positiva.

Francisco sobre: 3. a Igreja e a alegria (Padre Anselmo Borges)


Continuo com os diálogos do Papa Francisco e de Dominique Wolton: Politique et société. Quando se fala da Igreja, pensa-se logo na instituição e nos dirigentes: papa, bispos, padres... Ora, acentua Francisco, "a Igreja somos nós todos." "Há os pecados dos dirigentes da Igreja, com falta de inteligência ou que se deixam manipular. Mas a Igreja não são os bispos, os papas e os padres. A Igreja é o povo. O Vaticano II disse: "O povo de Deus, no seu conjunto, não se engana." Se quiser conhecer a Igreja, vá a uma aldeia onde se vive a vida da Igreja. Vá a um hospital onde há tantos cristãos que vêm ajudar, leigos, irmãs... Vá a África, onde se encontram tantos missionários. Não para converter - era noutros tempos que se falava de conversão -, mas para servir."

O que é que mais o toca? "Há tanta santidade. É uma palavra que quero utilizar na Igreja hoje, mas no sentido da santidade quotidiana, nas famílias... Quando falo desta santidade ordinária, que já designei como a "classe média" da santidade..., sabe qual é a imagem que me vem ao espírito? O Angelus, de Millet. A simplicidade desses dois camponeses que rezam. Um povo que reza, um povo que peca e depois se arrepende dos seus pecados. Há uma forma de santidade oculta na Igreja. Há heróis que partem em missão. Alguns sacrificaram a sua vida. É isso que me toca mais na Igreja: a sua santidade fecunda, ordinária. Essa capacidade de tornar-se santo sem se fazer notar."

Por isso, Francisco tem medo da rigidez. "Por detrás de cada rigidez há uma incapacidade de comunicar. Pense nesses padres rígidos que têm medo da comunicação, pense nos políticos rígidos... É uma forma de fundamentalismo. Quando me aparece uma pessoa rígida, e sobretudo um jovem, digo imediatamente a mim próprio que está doente. O perigo é que procuram a segurança... Não sabem, sentem-no. Vão, portanto, procurar estruturas fortes que os defendam na vida." Temos então o tradicionalismo, o medo da novidade, do diálogo. Ignoram que a tradição, para ser viva, tem de estar em movimento. "Como cresce a tradição? Cresce como uma pessoa: pelo diálogo, que é como a amamentação para a criança. O diálogo com o mundo que nos rodeia. Se não se dialoga, não se pode crescer, fica-se fechado, pequeno, um anão. Não posso contentar-me com caminhar com palas, devo olhar e dialogar. Dialogando e escutando outra opinião, posso, como no caso da pena de morte, da tortura, da escravatura, mudar o meu ponto de vista. Sem mudar a doutrina. A doutrina cresceu com a compreensão. Isso é a base da tradição. Ao contrário, a ideologia tradicionalista tem uma fé como isto [faz o gesto das palas]: na missa, a bênção deve dar-se desta maneira, os dedos devem colocar-se deste modo, como se fazia antes... O que o Vaticano II fez com a liturgia foi algo enormíssimo. Porque abriu o culto de Deus ao povo. Agora, o povo participa." Aqui, digo eu: o cardeal Robert Sarah que não pense que vai pôr outra vez a missa em latim, com o padre de costas para o povo...

Neste contexto, põe-se a pergunta: os divorciados recasados podem comungar? "Há o que eu fiz, depois de dois sínodos: a exortação "A Alegria do Amor"... É algo claro e positivo, que alguns com tendências ultratradicionalistas combatem, dizendo que não é a verdadeira doutrina. Quanto às famílias feridas, eu digo lá que há quatro critérios: acolher, acompanhar, discernir as situações e integrar. Abre-se um caminho de comunicação. Perguntam-me: "Mas pode dar-se a comunhão aos divorciados?" Respondo: "Falai com o divorciado, falai com a divorciada, acolhei, acompanhai, integrai, discerni!" Infelizmente, nós os padres estamos habituados a normas congeladas, fixas. E ouve-se dizer: "Não podem receber a comunhão." Que não, não e não. Este tipo de proibições é o que encontramos no drama de Jesus com os fariseus. A mesma coisa!"

Neste enquadramento, porque "a misericórdia é um dos nomes de Deus - se eu não aceito que Deus é misericordioso não sou crente" -, todos os padres, incluindo os lefebvrianos, podem agora absolver o pecado do aborto. "Atenção! Isto não significa banalizar o aborto. O aborto é grave, um pecado grave. É o assassínio de um inocente. Mas se há pecado é necessário facilitar o perdão."

O cristianismo "não é uma ciência, uma moral, uma ideologia, uma ONG: o cristianismo é um encontro com uma pessoa. É a experiência da estupefacção, da maravilha espantosa de ter encontrado Deus, Jesus Cristo, é isso que me deixa estupefacto". Por isso, "não se pode ensinar a moral com preceitos como: "Não podes fazer isto, deves fazer isto, tu deves, tu não deves, tu podes, tu não podes." A moral é uma consequência do encontro com Jesus Cristo, uma consequência da fé, para nós os católicos. E para os outros a moral é uma consequência do encontro com um ideal, ou com Deus, ou consigo mesmo, mas com a melhor parte de si mesmo. A moral é sempre uma consequência". Assim, é inconcebível uma Igreja afastada das pessoas. "A Igreja de Jesus Cristo tem de estar ligada ao povo. O contrário seria fazer como alguns políticos que se interessam pelas pessoas durante as campanhas eleitorais e depois as esquecem. Para mim, a proximidade, mesmo na vida pastoral, é a chave da evangelização... Quando quero transmitir algo a alguém, devo esforçar-me por pensar que estou diante do mistério de uma outra pessoa."

Wolton: "Que palavras do seu pontificado quereria ver retidas?" Francisco: "A palavra que mais utilizo é a "alegria". Uso muitas vezes a "ternura", a "proximidade". Aos padres digo: "Por favor, sede próximos das pessoas." Aos bispos digo: "Não sejais príncipes, senhores, sede próximos das pessoas, dos padres." Também a "oração", rezar no sentido de estar diante de Deus" e fazer silêncio e meditar, no meio de uma sociedade do ruído, do "rapidão".

in DN 06.10.2017

9 de outubro de 2017

O Provador de Vinho


Numa conhecida vinícola da serra o provador havia falecido e o proprietário começou a procurar alguém que fizesse o trabalho.
Um velho, jeito de antigo malandro, bêbado e mal vestido, apresentou-se para solicitar o lugar.
O proprietário, que não gostou do candidato, queria por isso ver-se livre dele.
Então, na presença de outros dirigentes da empresa, mandou dar-lhe um copo de vinho para ele testar.
O velho provou e disse:
- É um Moscatel de três anos, elaborado com uvas colhidas na parte norte da região, guardado  num barril inox. É de baixa qualidade, porém, aceitável.
-Correcto, disse o chefe. Outro copo por favor.
- É um cabernet, safra 2008, com uvas colhidas nas encostas ao sul da região, guardado em barril de carvalho americano a 8 graus de temperatura. Ainda faltam uns três anos para que alcance a mais alta qualidade.
- Absolutamente correcto. Um terceiro copo.
- É um espumante elaborado com uvas chardonnay, completado com 15% pinot noir, de alta qualidade e exclusivas, disse o bêbado.
O proprietário não acreditava no que estava a ver e fez um sinal com os olhos à secretária e pediu-lhe que fizesse algo.
Ela saiu da sala e regressou com um copo de urina.
O malandro provou e, calmamente, disse:
- É de uma ruiva de 26 anos de idade, com três meses de gravidez e, se não me derem o emprego, digo quem é o pai.
- Tás contratado!!

BOA SEMANA!

6 de outubro de 2017

Péssimo serviço ao cliente


- Quando vou dar sangue não sou eu que o tiro, é uma enfermeira que o tira.
- Compreendo, Sr. João, mas isto é um banco de esperma e funciona de maneira diferente.
- Péssimo serviço!! 

(Com um agradecimento especial ao Ricardo Santos)

BOM FIM-DE-SEMANA!


4 de outubro de 2017

Possuir armas não é um direito fundamental


Infelizmente com grande regularidade as tragédias envolvendo a posse e a utilização de armas nos Estados Unidos da América acontecem e chocam o país e o resto do Mundo.
Agora foi a vez de um assassino lunático martirizar largas dezenas de pessoas que se encontravam tranquilamente a assistir a um concerto de música country em Las Vegas.
Um lunático que tinha um verdadeiro arsenal de armas no quarto de hotel e outro em casa.
Um lunático que, vá-se lá perceber como, se deu ao luxo de andar a instalar câmaras de vigilância no interior do hotel para ter a certeza que as suas intenções assassinas não seriam frustradas.
Quando estas tragédias acontecem fazem-se ouvir as vozes que defendem o controlo da venda de armas nos Estados Unidos da América.
Vozes que são logo abafadas ou silenciadas pelo poderoso lóbi armamentista.
Um lóbi que conta com o apoio de figuras muito poderosas, muito influentes.
A começar no próprio Presidente Donald Trump que se apressou a afirmar, quando confrontado com a hipótese de se dar início ao debate acerca do controlo da venda e posse de armas (só o debate, não o controlo em si mesmo), que "talvez venha a acontecer" (sic).
Não vai acontecer, já todos o sabemos.
Porque há muita gente, gente muito poderosa, que se recusa a perceber que o direito a possuir armas não é um direito fundamental.

Intemporais (87)

Excepcionalmente à quarta-feira porque amanhã é feriado e para homenagear Tom Petty

29 de setembro de 2017

As Leis de Murphy



1. Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível.

2. Um atalho é sempre a distância mais longa entre dois pontos. 

3. Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação do manual.

4. Tudo leva mais tempo do que todo o tempo que você tem disponível. 

5. Se há possibilidade de várias coisas darem errado, todas darão - ou a que causar mais prejuízo. 

6. Se você perceber que uma coisa pode dar errada de 4 maneiras e conseguir driblá-las, uma quinta surgirá do nada.

7. Seja qual for o resultado, haverá sempre alguém para: a) interpretá-lo mal b) falsificá-lo c) dizer que já o tinha previsto em seu último relatório.

8. Quando um trabalho é mal feito, qualquer tentativa de melhorá-lo piora. 

9. Acontecimentos infelizes sempre ocorrem em série. 

10. Toda vez que se menciona alguma coisa: se é bom, acaba; se é ruim, acontece.

11. Em qualquer fórmula, as constantes (especialmente as registadas nos manuais de engenharia) deverão ser consideradas variáveis.

12. As peças que exigem maior manutenção ficarão no local mais inacessível do aparelho.

13. Se você tem alguma coisa há muito tempo, pode jogar fora. Se você jogar fora alguma coisa que tem há muito tempo, vai precisar dela logo, logo.

14. Você sempre encontra aquilo que não está procurando. 

15. Quando te ligam: a) se você tem caneta, não tem papel b) se tem papel não tem caneta c) se tem ambos ninguém liga.

16. Entre dois acontecimentos prováveis, sempre acontece um improvável. 

17. Mesmo o objecto mais inanimado tem movimento suficiente para ficar na sua frente e provocar uma canelada.

18. Qualquer esforço para se agarrar um objecto em queda provocará mais destruição do que se deixássemos o objecto cair naturalmente.

19. A única falta que o juiz de futebol apita com absoluta certeza é aquela em que ele está absolutamente errado.

20. Por mais bem feito que seja o seu trabalho, o patrão sempre achará onde criticá-lo.

21. Nenhum patrão mantém um empregado que está certo o tempo todo. 

22. Toda a solução cria novos problemas. 

23. Quando um político fala em corrupção, os verbos são sempre usados no passado.

24. Você nunca vai pegar engarrafamento ou sinal fechado se saiu cedo demais para algum lugar.

25. Os assuntos mais simples são aqueles dos quais você não entende nada. 

26. Dois monólogos não fazem um diálogo. 

27. Se você é capaz de distinguir entre o bom e o mau conselho, então você não precisa de conselho.

28. O trabalho mais chato é também o que menos paga. 

29. Errar é humano. Perdoar não é a política da empresa. 

30. Toda a ideia revolucionária provoca três estágios: 1º. é impossível - não perca meu tempo 2º. é possível, mas não vale o esforço 3º. eu sempre disse que era uma boa ideia. 

31. A informação que obriga a uma mudança radical no projecto sempre chega ao projectista depois do trabalho terminado, executado e funcionando maravilhosamente (também conhecida como síndrome do: "Porra! Mas só agora!!!"). 

32. Um homem com um relógio sabe a hora certa. Um homem com dois relógios sabe apenas a média.

33. Inteligência tem limite. Burrice não. 

34. Seis fases de um projecto: Entusiasmo; Desilusão; Pânico; Busca dos culpados; Punição dos inocentes; Glória aos não participantes.

35. Conversas sérias, que são necessárias, só acontecem quando você está com pressa.

36. Não se dorme até que os filhos façam cinco anos.

37. Não se dorme depois que eles fazem quinze. 

38. O orçamento necessário é sempre o dobro do previsto. O tempo necessário é o triplo.

39. As variáveis variam menos que as constantes. 

40. Pais que te amam não te deixam fazer nada. Pais liberais, não estão nem aí para você.

41. Entregas de camião que normalmente levam um dia levarão cinco quando você depender da entrega.

42. O único filho que ronca é o que quer dormir com você. 

43. Assim que tiver esgotado todas as suas possibilidades e confessado seu fracasso, haverá uma solução simples e óbvia, claramente visível a qualquer outro idiota. 

44. Qualquer programa quando começa a funcionar já está obsoleto. 

45. Nenhuma bola vai parar em um vaso que você odeia. 

46. Só quando um programa já está sendo usado há seis meses, é que se descobre um erro fundamental.

47. Nenhuma criança limpa quer colo. 

48. A ferramenta quando cai no chão sempre rola para o canto mais inacessível do aposento. A caminho do canto, a ferramenta acerta primeiro o seu dedão. 

49. Guia prático para a ciência moderna: a) Se se mexe, pertence à biologia. b) Se fede, pertence à química. c) Se não funciona, pertence à física. d) Se ninguém entende, é matemática. e) Se não faz sentido, é psicologia. 

50. O vírus que seu computador pegou, só ataca os arquivos que não têm cópia.

51. O número de excepções sempre ultrapassa o número de regras. E há sempre excepções às excepções já estabelecidas.

52. Seja qual for o defeito do seu computador, ele vai desaparecer na frente de um técnico, retornando assim que ele se retirar.

53. Se ela está te dando mole, é feia. Se é bonita, está acompanhada. Se está sozinha, você está acompanhado.

54. Se o curso que você desejava fazer só tem n vagas, pode ter certeza de que você será o candidato n + 1 a tentar se matricular.

55. Oitenta por cento do exame final que você prestará, será baseado na única aula que você perdeu, baseada no único livro que você não leu.

56. Cada professor parte do pressuposto de que você não tem mais o que fazer, senão estudar a matéria dele.

57. A citação mais valiosa para a sua redacção será aquela em que você não consegue lembrar o nome do autor.

58. Caras legais são feios. Caras bonitos não são legais. Caras bonitos e legais são gays.

59. A maioria dos trabalhos manuais exigem três mãos para serem executados. 

60. As porcas que sobraram de um trabalho nunca se encaixam nos parafusos que também sobraram.

61. Quanto mais cuidadosamente você planear um trabalho, maior será sua confusão mental quando algo der errado.

62. Tudo é possível. Apenas não muito provável. 

63. Em qualquer circuito electrónico, o componente de vida mais curta será instalado no lugar de mais difícil acesso.

64. Qualquer desenho de circuito electrónico irá conter: uma peça obsoleta, duas impossíveis de encontrar, e três ainda sendo testadas.

65. A luz no fim do túnel, é o trem vindo na sua direcção. 

66. A vida é uma droga. E você ainda reencarna. 

67. Se está escrito "Tamanho Único", é porque não serve em ninguém. 

68. Se o sapato serve, é feio! 

69. Nunca há horas suficientes num dia, mas sempre há muitos dias antes do sábado.

70. Todo corpo mergulhado numa banheira faz tocar o telefone. 

71. A beleza está à flor da pele, mas a feiúra vai até o osso! 

72. A informação mais necessária é sempre a menos disponível. 

73. A probabilidade de o pão cair com o lado da manteiga virado para baixo é proporcional ao valor da carpete.

74. Confiança é aquele sentimento que você tem antes de compreender a situação.

75. A fila do lado sempre anda mais rápido. 

76. Nada é tão ruim que não possa piorar. 

77. O material é danificado segundo a proporção directa do seu valor. 

78. Se você está se sentindo bem, não se preocupe. Isso passa. 

79. No ciclismo, não importa para onde você vai; é sempre morro acima e contra o vento.

80. Por mais tomadas que se tenham em casa, os móveis estão sempre na frente.

81. Existem dois tipos de penso rápido: o que não gruda, e o que não sai. 

82. Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada. 

83. Você sabe que é um dia ruim quando: O sol nasce no oeste; você pula da cama e erra o chão; o passarinho cantando lá fora é um urubu; seu bichinho de cerâmica te morde. 

84. Por que será que números errados nunca estão ocupados? 

85. Se você não está confuso, não está prestando atenção. 

86. Na guerra, o inimigo ataca em duas ocasiões: quando ele está preparado e quando você não está.

87. Tudo que começa bem, termina mal. Tudo que começa mal, termina pior. 

88. Amigos vêm e se vão, inimigos se acumulam. 

89. Você só precisará de um documento quando, espontaneamente, ele se mover do lugar que você o deixou para o lugar onde você não irá encontrá-lo.

90. As crianças são incríveis. Em geral, elas repetem palavra por palavra aquilo que você não deveria ter dito.

91. Uma maneira de se parar um cavalo de corrida é apostar nele. 

92. Toda partícula que voa sempre encontra um olho. 

BOM FIM-DE-SEMANA! 

(Na próxima semana, entre feriados e compensações, só haverá blogue na quarta-feira e na sexta-feira).

28 de setembro de 2017

Renovação quase total nos nomes dos deputados nomeados


Já são conhecidos os nomes dos sete deputados nomeados pelo Chefe do Executivo.
Se no sufrágio indirecto nunca há surpresas, se no sufrágio directo houve algumas, as expectativas acerca dos deputados a nomear pelo Chefe do Executivo não eram muito altas.
Chui Sai On, a cumprir os últimos anos do seu segundo mandato como Chefe do Executivo, mudou muitos nomes, mudou alguma coisa na estrutura, fica por saber se mudou muito na essência.
O Chefe do Executivo manteve apenas um dos nomeados da última legislatura (Ma Chi Seng, o delfim da influente família Ma) e renovou os outros seis.
Olhando para os nomes escolhidos, e para os seus currículos, parece óbvio que se procurou nomear pessoas mais jovens, com mais habilitações literárias, em detrimento dos tradicionais nomes ligados ao empresariado e às elites locais.
No entanto, se prestarmos atenção ao percurso de vida dos nomeados, e às suas ligações a diversos sectores da vida social e empresarial de Macau, a renovação poderá não ter sido tanta quanto aparenta.
Chui Sai On e Pequim (Pequim obviamente tem muita influência nestas nomeações) souberam ler e interpretar os resultados do voto popular.
O povo nas urnas deixou bem claro que está farto das mesmas pessoas, das mesmas caras, dos mesmos interesses.
E deixou bem claro também que quer ser representado por gente que possa dar atenção aos seus problemas reais e não esteja concentrada nos interesses de elites de todos conhecidas.
À primeira vista as nomeações que acabam de ser divulgadas parecem querer responder a estes anseios.
Académicos, técnicos (Direito e Engenharia), todos a aparentarem um passo decidido no rumo da tão falada governação científica.
Diz o povo que as aparências iludem.
Será este mais um desses casos?
Mudar muito, nos nomes, para ficar tudo mais ou menos na mesma?
Esperemos que assim não seja, mas vale a pena estar atento para perceber o que estes deputados nomeados vão trazer de novo, se é que vão trazer algo de novo.

Intemporais (86)

27 de setembro de 2017

Porto de luxo servido ontem no principado


Depois da entrada com o pé esquerdo nesta edição da Liga dos Campeões o Porto tinha que rectificar o resultado e a imagem deixadas no jogo com o Besiktas.
Tarefa muito complicada porque se tratava de um jogo no Mónaco, um jogo num estádio onde até ontem a equipa do principado nunca tinha perdido para a Liga dos Campeões.
Tinha aqui escrito depois do jogo com o Besiktas que o plantel do Porto é curto.
Não mudei de opinião só porque ontem o Porto ganhou de forma convincente no Mónaco.
O que se confirma é que a grande aquisição do Porto para esta época foi mesmo Sérgio Conceição, o treinador.
Sérgio Conceição que consegue tirar o máximo rendimento dos jogadores, que os consegue motivar, que consegue descobrir soluções onde estas parecem não existir.
Esta equipa do Porto é muito a imagem do treinador - aguerrida, determinada, trabalhadora, tudo à mistura com uma dose de talento individual posto ao serviço do colectivo.
Está tudo em aberto no que diz respeito ao apuramento para os oitavos-de-final neste grupo G.
Com a vitória de ontem o Porto voltou a poder sonhar com esse apuramento, com as receitas monetárias tão necessárias, com o prestígio que Sérgio Conceição prometeu que teria que voltar a ser imagem do Porto.
Foi um Porto de luxo o que ontem foi servido no Mónaco, um Porto digno de príncipes em terra de realeza.

Com quem é que você gostaria de jantar?

15 de setembro de 2017

Contribuição dos amigos do blogue

João Paulo de Oliveira


Dois símbolos wur identificam o género em casas de banho.

Familiar muito especial 

Ponderação de tema

Caricatura perfeita


Ricardo Santos 

Invento português que aguarda patente 


Contas atrasadas

-Oi gata! Qual é o seu nome?
-Luzinete
-Puta que pariu! 
-O quê? Não gostou do meu nome?
-Não é isso! É que me lembra 2 contas atrasadas!

BOM FIM-DE-SEMANA!
[Na próxima semana não há blogue que eu vou ali (Portugal) e já venho]

14 de setembro de 2017

Quando a manta é curta...


Quando a manta é curta há sempre alguma parte do corpo que fica exposta.
A mesma coisa acontece quando o plantel de uma equipa é curto.
Quando o plantel é curto, e as competições são muitas, alguma(s) fica(m) para trás.
E o plantel do Porto é curto.
Especialmente se a equipa verdadeiramente quiser disputar todas as competições em que está envolvida (Liga, Liga dos Campeões, Taça de Portugal, Taça da Liga).
Sem aquisições (o guarda-redes Vaná foi a excepção) para conseguir cumprir as regras do fair play financeiro da UEFA,  um domínio em que também há alguns mais iguais que os outros, Sérgio Conceição teve que estruturar o plantel com os jogadores que tinham contrato com o clube.
Os que já estavam no clube e os que foram resgatados aos clubes a que estavam emprestados.
Pode ser que chegue para as provas internas, e isso só mais lá para a frente na época se verá, é curto para as provas europeias, especialmente para a Liga dos Campeões.
Foi precisamente isso que se viu na estreia desta competição.
Um Besiktas recheado de jogadores experientes, matreiros, com alguma qualidade, bateu clara e justamente o Porto.
Começar uma prova tão curta como é a fase de grupos da Liga dos Campeões a perder, para mais em casa, é muito mau.
O empate no outro jogo do grupo deixou tudo muito equilibrado.
Mas o que se viu no Dragão foi muito pouco para fazer face às exigências de uma prova como a Liga dos Campeões.
Pela primeira vez esta época o Porto foi derrotado em jogos oficiais.
Vamos ver como reage a equipa a este desaire.
E vamos ver se a direcção e a equipa técnica não se vão ver obrigadas a fazer opções.
Opções que passam obrigatoriamente por centrar atenções e energias numa(s) prova(s) em detrimento de outra(s).
Quando a manta é curta...

Intemporais (85)

13 de setembro de 2017

Unanimidade na censura, dissensão nas sanções


O Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou por unanimidade o último ensaio armamentista da Coreia do Norte.
E não se ficou por essa condenação endurecendo as medidas sancionatórias aplicadas ao regime norte-coreano.
Na nona resolução adoptada por unanimidade pelos 15 membros do Conselho de Segurança, a solução encontrada passou novamente por demoradas e complicadas negociações entre três dos principais intervenientes no processo – Estados Unidos, China e Rússia.
Washington, para ter o apoio de Pequim e Moscovo, teve que ceder nas suas intenções iniciais e suavizar um conjunto de sanções que russos e chineses acharam demasiado violento.
Só quem não está habituado à postura negocial de Pequim (Moscovo nem tanto…) é que se surpreende.
A resolução adoptada deixa Pyongyang em grandes dificuldades para fazer face às sanções que terá que enfrentar – proibição de exportação de produtos têxteis, forte restrição à importação de produtos petrolíferos e derivados – mas não funciona como um garrote, muito menos fere de morte a liderança e os bens pessoais do ditador norte-coreano (uma mão cheia de mel, uma mão cheia de ...trampa).
Pequim e Moscovo, alinhando com o grito de “basta!” da comunidade internacional, não deixam de dar algum espaço ao regime norte-coreano para sobreviver.
Até Washington já percebeu isso.
As declarações de Nikki Hailey não deixam grande espaço para dúvidas a esse respeito.
A posição musculada de Trump foi substituída por um não queremos a guerra e deixaremos a Coreia do Norte em paz se o regime norte-coreano parar com o seu programa nuclear.
Pequim e Moscovo, aliados de Pyongyang, capazes de levar Washington a ceder, serão capazes de, à nona resolução adoptada por unanimidade por um Conselho de Segurança tão dividido, levar Pyongyang a ceder também?
Confesso que não acredito nessa possibilidade.
Kim Jong-un vai cantar vitória, fazer mais umas quantas ameaças, até novo teste balístico e nova resolução de um Conselho de Segurança das Nações Unidas que Pequim e Moscovo não deixam responder à bruta a quem só conhece essa linguagem.
Até quando é a pergunta do milhão de dólares.