31 de outubro de 2012

Mais uma oportunidade perdida em Alvalade?


François ("Franky") Vercauteren foi oficialmente apresentado como treinador do Sporting.
Lembo-me bem de Vercauteren enquanto jogador.
Esquerdino, fez parte das melhores selecções belgas de que tenho memória juntamente com nomes como Ceulemans e Enzo Scifo.
Como treinador, o seu currículo resume-se ao (bom) trabalho no seu país (Anderlecht e Genk).
Não sei se será o treinador ideal para o Sporting neste momento.
Na realidade, não sei qual será o treinador ideal para o Sporting neste momento, ou até se esse treinador existirá.
O que penso é que este podia ser, finalmente, o ano zero de que o Sporting anda há muito a precisar.
Mas, para que assim fosse, antes de mudar de treinador, tinha que haver mudanças na estrutura directiva.
Godinho Lopes apresentou um projecto ao Sporting que assentava essencialmente na contratação de Domingos para tomar conta da equipa principal.
O saneamento financeiro e a aposta na formação, como se foi vendo pelo caminho, eram apenas mensagens que Godinho Lopes sabia que passavam bem.
A aposta Domingos, a aposta essencial, foi o primeiro de uma longa série de erros do actual presidente do Sporting.
Uma boa parte dos adeptos do Sporting nunca aceitou bem Domingos, antes o olhou com desconfiança, como um portista infiltrado em Alvalade.
Quando finalmente percebeu isso, depois de já ter gasto uma fortuna a alterar por completo a equipa, sem qualquer aposta na formação como tinha prometido, Godinho Lopes despediu Domingos e foi buscar Sá Pinto.
Controverso, mas com inegável coração de leão.
Podia começar aí a inversão de um caminho que já se percebia perfeitamente não ser o correcto para o clube.
E assim parecia ser.
A entropia de Sá Pinto com as bancadas e o balneário era uma realidade.
Que se altera por completo no Jamor.
A derrota na final da Taça de Portugal representou o princípio do divórcio entre a massa associativa, a própria direcção, e Sá Pinto.
Depois da saída de Domingos, a saída (previsível) de Sá Pinto.
Acompanhada, quase em simultâneo, pelas saídas de Carlos Freitas e Luís Duque e pela nega  pública de José Couceiro.
Neste cenário, agravado pelo facto de a equipa se encontrar virtualmente afastada da luta pelo título, afastada da Taça de Portugal, a caminho do afastamento da Liga Europa, o natural seria Godinho Lopes demitir-se e solicitar a convocação de eleições antecipadas.
Eleições às quais até poderia apresentar-se como candidato.
Mas com outro projecto.
Porque o que lhe deu a vitória nas últimas eleições claramente já não existe.
Em boa verdade, terá deixado de existir no dia em que Domingos foi despedido.
Seria então o momento ideal para o Sporting declarar o tal ano zero, partir para um resto de época em que, essencialmente, se procuraria arrumar a casa e conseguir o apuramento para a Liga dos Campeões, através do terceiro lugar na Liga, cenário que se apresenta muito complicado neste momento.
Confesso que não percebo exactamente o que se pretende com a contratação de Vercauteren.
Parece-me mais um, entre os muitos, sinal de desnorte.
O belga, nas suas primeiras declarações como treinador do Sporting, ainda acentuou esta minha sensação de total desnorte.
Vai trazer um adjunto, mas conta com Oceano; quer apostar na formação, na Academia de Alcochete, mas confessa que desconhece quem lá trabalha neste momento; afirma, em completa negação da realidade, que ainda aposta no título.
Com Godinho Lopes ao lado, Vercauteren deixou-me a forte sensação que a oportunidade excelente, até pela fácil gestão de expectativas, de se poder refundar (um verbo que está na moda) o Sporting, vai ser novamente desperdiçada.
Se estiver a ler bem o que está a acontecer em Alvalade, dentro de pouco tempo poderemos verificar se é mesmo assim.

Teatro de sombras - fenomenal!!!

Orégãos provocam o 'suicídio' das células do cancro da próstata



Uma erva aromática demonstrou um efeito desconhecido no cancro da próstata. Um estudo conduzido nos EUA demonstrou que os orégãos levam as células cancerígenas ao 'suicídio'. Estará a cura contra este tumor no topo de uma pizza? 
 Um estudo conduzido na Long Island University (LIU), nos EUA, confirmou que os orégãos conduzem as células do cancro da próstata ao 'suicídio', abrindo a porta ao desenvolvimento duma terapia contra este tumor. A descoberta seguiu-se a outras investigações que já tinham demonstrado que as pizzas ajudam a reduzir as hipóteses de contrair cancro, efeito que era atribuído a uma substância no molho de tomate.
 No caso dos orégãos, a substância que provoca o 'suicídio celular' é o carvacrol. A equipa liderada por Supriya Bavadekar, professora de farmacologia, tem realizado testes em células cancerígenas e os resultados evidenciam a potencialidade desta erva aromática ser transformada na base dum fármaco anticancerígeno. "Sabemos que os orégãos possuem propriedades antibacterianas e anti-inflamatórias, mas os seus efeitos nas células cancerígenas podem dar-lhe uma utilidade completamente nova", explicou Supriya Bavadekar, cuja equipa procura agora ompreender o processo como o carvacrol atua sobre as células afetadas. 
 O facto da substância se encontrar numa erva aromática leva ainda os investigadores a anteciparem uma rápida e eficaz absorção por parte do organismo: "uma grande vantagem é que os orégãos são muito usados para temperar a comida e são reconhecidos como seguros nos EUA. Portanto, esperamos que esse facto possa diminuir o risco de efeitos tóxicos graves".*
 "Se o estudo continuar a produzir bons resultados, esta super especiaria pode representar uma terapia muito promissora para quem sofre de cancro na próstata", complementou a professora da LIU, durante a apresentação da investigação na Experimental Biology 2012.

Choose your restaurant (11)


Finalmente, os anos 90 (63)

30 de outubro de 2012

Três perguntas, três simples perguntas


Na sequência da reunião da Comissão de Avaliação das Remunerações dos Trabalhadores da Função Pública, e das declarações desencontradas, antagónicas até, que se seguiram, já todos percebemos que se decidiu....não decidir nada.
Uma vez que se decidiu não decidir nada, é óbvio que a questão dos aumentos salariais do funcionalismo público estará ausente nas Linhas de Acção Governativa que vão ser apresentadas dentro de dias na Assembleia Legislativa.
Essa ausência, por sua vez, significa que não haverá aumentos salariais em Janeiro.
Com estas premissas e estas certezas em mente, quero deixar aqui três perguntas muito simples, muito directas, a solicitarem também respostas muito simples e muito directas:
- Haverá, ou não, aumentos salariais para o funcionalismo público no ano de 2013?
- Se sim, a partir de quando?  (o quanto já nem pergunto....)
- Uma vez que não será a partir de Janeiro, haverá, ou não, retroactivos quando esses aumentos salariais entrarem em vigor?
Creio que não será necessário criar nova Comissão para responder a estas questões.
Nem será preciso submeter as mesmas à apreciação da Comissão de Avaliação das Remunerações dos Trabalhadores da Função Pública.
Respostas muito concretas, dadas pelo Executivo, serão mais do que suficientes.

My way de luxo (Andre Rieu)


O renomado violinista, maestro e compositor holandês ANDRE RIEU e sua maravilhosa orquestra, renderam tributo a FRANK SINATRA executando  a canção MY WAY.
O som de seu violino Stradivarious emocionou todos os 5500 espectadores presentes no Radio City Music Hall de New York.
Merecida homenagem!
Os amantes da boa música devem aplaudir de pé como fizeram todos os presentes.

MENSAGEM A MEIO DA NOITE (Lídia Jorge)




Queridos amigos, tanto que eu queria não vos desiludir, cumprindo a tempo e horas o que vos prometi com solenidade, mas infelizmente irei continuar em falta, e desta vez a culpa traz dupla assinatura pois não é só minha, ainda que não conheça a quem imputá-la. Confuso? Compreenderão se vos disser que ao regressar a Lisboa encontrei a casa assaltada.
Sim, meus amigos, a porta estava entreaberta, como se um estranho outro dono nos esperasse, e a fechadura não havia sido violada. Como explicar? Uma pessoa entra pela casa adiante, com a consciência perfeita do momento, o domínio sobre os maxilares, perfeito, e os músculos dos joelhos, intactos. O coração nem bate um pouco mais, prossegue o seu caminho, tiquetaque, tiquetaque, relógio orgânico habituado a muita coisa, e aí vai ele, inalterado. O coração fala consigo mesmo — Ficou o computador? Ficou. Ficaram as fotografias? Ficaram. Ficou o frigorífico velho? Sim. O passa-discos, também ficou? Que bom. E também ficou o televisor. E ficou o coelhinho de chocolate que me inspirou um conto, há dois anos. E a caneta de rosca, e as rosas de sarapilheira, e o caderno encarnado. Então uma pessoa olha para o caos instalado, a dança dos objetos que andaram de um lado para outro, cruzando-se no espaço, e sente uma espécie de anestesia. Não dá para pensar, só dá para ver. Pois no rebuliço, os pechisbeques voaram para cima da cama, os recibos das finanças foram parar nos portais, as cartas dos amigos ficaram debaixo dos óculos velhos, alguns deles saíram das caixas, e na confusão, de repente, a pessoa descobre que os aros estavam mais do que ultrapassados. Há quanto tempo estariam os óculos guardados no fundo da gaveta agora vazia? Aliás, todas as gavetas estão completamente vazias, e o chão está completamente juncado. Onde colocar os pés? O que estará debaixo do monte das informações bancárias, umas vinte, que parecem ter-se multiplicado por mil? E as moedas canadianas, e os reais desprezados? Que curioso é o bater do nosso coração. Tiquetaque, tiquetaque, sem alteração alguma.
Pois por que não? Há revelações estranhas nesta desarrumação dos objetos. Umas velas que não apareciam há vinte anos ocupam lugar preponderante por cima de cintos e meias. Cuecas velhas que uma pessoa guardou só porque tinham uma ponta de renda, estão largadas sobre o busto esverdeado do Bach. Uma almofada em forma de lagarta cobre uma caixa de vidro de onde terá saído alguma coisa que foi parar dentro de sapatos. Cartas, tesouras, sapatos. E de repente, a vida vem ao nosso encontro e fala do tempo que passa, e da irrelevância dos objetos guardados, como se eles apenas servissem para nos dar recados de que não há recados. Mas neste ponto, meus amigos, eu faço uma pausa.
Pois será que não haverá mesmo recados? Então o que sentirá uma pessoa que se infiltra na casa dos outros para procurar o que não lhe pertence? Será um método de vida? Uma tática de dever? Um exercício de frieza? Um exercício de perversidade? Um dia, o Baptista-Bastos, na boa tradição romântica, chamou ao ladrão de “Senhor Ladrão”, e deu-lhe uns conselhos calmos. Pois também eu, ao regressar a casa e ao sentir que o ladrão deixou aqueles objetos que verdadeiramente mais amo no seu exato lugar, fui assaltada por um sentimento semelhante, uma gratidão inexplicável por esse ladrão que só queria ouro e dinheiro, precisamente o que as pessoas da minha igualha não têm mais em casa, porque não têm em lugar nenhum. E como uma romântica, que a seu tempo leu Os Miseráveis, comecei a pensar no Estado.
Inveterada, imaginei que não foi pessoa quem me assaltou a casa. Imaginei que foi o Estado quem veio pela calada da noite, meteu a chave falsa, rodou-a, silenciosa, o Estado empurrou a porta, o Estado pensou que havia uma fortuna nos lugares onde os cidadãos comuns costumam esconder as fortunas, o Estado enervou-se por só encontrar clips, cotão, recortes de jornais, morraça, e foi-se enfurecendo, foi atirando para o chão tudo o que encontrava na frente, na esperança de que a fortuna do cidadão de súbito saltasse do interior das páginas de um livro. Que ironia. O Estado a procurar ouro e divisas dentro das páginas de um livro. Que ridículo. O Estado cansou-se. O Estado ainda pensou derrubar o candeeiro, mas depois sentiu que havia visitado um cidadão insignificante, e achou que apenas perdera o seu tempo. O Estado sabe o que faz. O Estado abalou a procurar a sua sorte numa casa mais rica. Não falo só no meu Estado, falo também do Estado do visitante. Quando cheguei a este ponto, de súbito o tiquetaque desorganizou-se, os joelhos deram de si, e felizmente que havia um Magnum Clássico no congelador. Ele permitiu, meus amigos, que eu abrisse este computador e vos explicasse por que razão, se acaso não me dispensarem, em face do exposto, de escrever um artigo para o vosso site, irei precisar de um tempo liberto desta presença dúbia que ainda permanece no interior da minha casa. De quem eu tenho pena, se for gente, por quem eu sinto raiva, se for Estado.

Choose your restaurant!! (10)


Finalmente os anos 90 (62)

29 de outubro de 2012

Momento budista



- Mestre, qual é o segredo da longevidade ? Pergunta o discípulo ao mestre budista.


- Só comer verdura, dormir cedo e renunciar ao sexo e à bebida -  responde o Mestre.

- Mestre, assim se terá uma vida longa ?

- Não, mas vai parecer uma eternidade...!

BOA SEMANA!!!!

Isso é que é marido!!!!

A mulher acorda o marido no meio da noite e diz, emocionada:


- "Querido, sonhei que você estava me dando um colar de brilhantes!

"O que será que esse sonho quer dizer?"


E ele responde:

- "Você vai saber no dia do seu aniversário meu amor..."




O aniversário chega, o marido entra em casa com uma caixa retangular, maravilhosamente decorada.

A mulher se agarra ao pacote quase chorando de emoção, rasga o papel, abre a caixa e dentro encontra um livro:


Primeiros sintomas de Alzheimer

Choose your restaurant!!! (9)

Finalmente os anos 90 (61)

26 de outubro de 2012

Blogue Olhar Direito

Outra vez por aqui e outra vez em imagem.

aqui com novidades de Hong Kong.

O que é o amor?




O amor não é aquilo que ilumina o seu caminho.
O nome disso é candeeiro.
  
O amor não é aquilo que supera barreiras.
O nome disso é "golo" na marcação de um livre.

O amor não é aquilo que faz coisas que até Deus duvida.
O nome disso é Lady Gaga.

O amor não é aquilo que traça o seu destino.
O nome disso é GPS.

O amor não é aquilo que te dá forças para superar os obstáculos.
O nome disso é tração às quatro rodas.

O amor não é aquilo que mostra o que realmente existe dentro de você.
O nome disso é endoscopia.

O amor não é aquilo que atrai os opostos.
O nome disse é iman.

O amor não é aquilo que dura para sempre.
O nome disso é Manuel de Oliveira.

O amor não é aquilo que surge do nada e em pouco tempo está mandando em você.
O nome disso é Miguel Relvas.

O amor não é aquilo que te deixa sem fôlego.
O nome disso é asma.

O amor não é aquilo que não te deixa ver as coisas como elas são.
O nome disso é miopia.

O amor não é aquilo que faz os feios ficarem pessoas maravilhosas.
O nome disso é dinheiro.

O amor não é aquilo que o homem faz na cama e deixa a mulher louca.
O nome disso é esquecer a toalha molhada.

O amor não é aquilo que toca as pessoas lá no fundo.
O nome disso é exame de próstata.

O amor não é aquilo que faz a gente dizer coisas de que depois se arrepende.
O nome disso é vodka.

O amor não é aquilo que faz você passar horas ao telefone.
O nome disso é promoção da ZON ou da MEO...

O amor não é aquilo que te deixa com água na boca.
O nome disso é copo de água.

Amor não é aquilo por que você reza para que não acabe.
O nome disso é férias.

O amor não é aquilo que entra na sua vida e muda tudo de lugar.
O nome disso é empregada nova.

O amor não é aquilo que te deixa meio pateta, rindo à toa.
O nome disso é excesso de álcool.

O amor não é aquilo que se cola em você mas quando vai embora arranca lágrimas.
O nome disso é cera quente.

Aprendeu???

Bom fim-de-semana!!!
  
  

Cinquenta anos de casado


Dois alentejanos encontram-se na rua. 
- Atão compadre, que cara é essa? 
- Ah Zé, tou aqui que na sei! Hoje faço cinquenta anos de casado!... 
- Eh Maneli, parabéns, e atão o que vais dar a tua Maria? 
- Olha, quando fizemos vinte e cinco anos levei-a a Lisboa... 
- Grande ideia... 
- Agora na sei se a vá buscari. 

A relação conjugal

Choose your restaurant!!! (8)

Finalmente, os anos 90 (60)

24 de outubro de 2012

Legalidade e moralidade


Um amigo publicava ontem no Facebook a fotografia que encima este post com a seguinte legenda - "adivinha, das duas pessoas retratadas, qual é a reformada?"
Todos sabemos a resposta a esta bem humorada questão.
Em simultâneo com uma boa gargalhada, fiquei a pensar que esta é uma daquelas imagens que ilustra na perfeição a fronteira que separa a ilegalidade e a imoralidade.
A base legal que permite às duas mais altas figuras do Estado (Presidente da República e Presidente da Assembleia da República) acumular pensões de reforma e salários milionários, para além de outras regalias acessórias, existe.
A questão da legalidade está, portanto, resolvida.
O problema é que subsiste (e de que maneira!!) a questão da moralidade.
Com que moral pode um Estado pedir sacrifícios terríveis aos seus cidadãos quando as duas figuras cimeiras da hierarquia desse Estado exibem despudoradamente precisamente o exemplo oposto?
E não se pense aqui em demagogia ou populismo.
Há exemplos, que todos conhecemos, de pessoas que souberam abdicar de uma das fontes de rendimento a que tinham  direito precisamente para dar o exemplo, para se mostrarem solidários com todos os seus compatriotas.
Infelizmente, são exemplos isolados.
Exemplos de pessoas que ainda sabem distinguir legalidade e moralidade.
Em tempo:
Já não é a primeira vez que aqui cometo um erro, não será a última de certeza.
Na sequência da chamada de atenção de alguns leitores, fui confirmar a informação que me davam.
Com efeito, quer o Presidente da República, quer a Presidente da Assembleia da República, não acumulam vencimento e pensão de reforma.
Podem certificar-se aqui.
Fica o pedido de desculpas pelo erro cometido.


P.S. 
Amanhã não há blogue outra vez (15º aniversário de casamento)

O monoteísmo do capital financeiro e a felicidade (Anselmo Borges)





De finanças o meu conhecimento é praticamente nulo. De ciência económica, quase. Mas não fico muito aflito, pois o que noto é que entre os economistas a confusão é imensa, tornando-se cada vez mais claro que, afinal, a economia é tudo menos uma ciência exacta.
Mas vamos ao capital, que é mesmo capital, como diz o étimo: caput, capitis (cabeça), necessário e até essencial para a existência humana. Seguindo em parte uma taxonomia de P. Bourdieu, X. Pikaza apresenta os diferentes sentidos de capital.
Nos capitais simbólicos, encontramos o capital sócio-cultural - o conjunto das riquezas simbólicas dos grupos e da humanidade, começando na língua e continuando nas tradições, nas esperanças de futuro, nas artes e tecnologias, nos saberes tradicionais e nos novos saberes científicos e técnicos - e o capital ético, incluindo os diferentes domínios da vida, no plano social, laboral, jurídico, abrangendo, portanto, o capital político, jurídico, religioso...
Mas, quando se fala em capital, pensa-se fundamentalmente no capital monetário e financeiro. Evidentemente, também este é um capital simbólico, mas hoje é o dominante, acabando por subordinar os outros. O capital de consumo situa-se no mundo da vida, está ao serviço da vida e da produção de meios para o consumo, bem-estar e desenvolvimento da humanidade. Há um capital monetário ligado à produção e distribuição do poder, isto é, das relações sociais, no quadro dos valores humanos e da democracia, da distribuição dos meios que permitem a realização dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, num plano ético.
O problema maior é que nas últimas décadas se foi dando o triunfo do capital financeiro, sobretudo na sua vertente neoliberal, desligado da produção de bens materiais e da distribuição de bens sociais, para se transformar em fim em si mesmo, sem atender à vida das pessoas e acima dos próprios Estados, que devem garantir os direitos humanos e a igualdade dos cidadãos. Fim em si mesmo, domina os próprios mercados, que "já são mercados do capital".
Encontramo-nos diante do "perigo de um monoteísmo do capital financeiro, que aparece assim como o único Deus do nosso mundo. Um capital por cima da produção de bens e da administração da justiça dos Estados, um capital sem normas éticas, sem outra finalidade que não a do desenvolvimento do próprio capital nas mãos de poderes financeiros frequentemente sem nome."
Este capital toma conta de todos os outros, a começar pelo capital ético, e está na base de uma guerra em curso, que custa milhões de vítimas.
Esta situação exige reflexão, pois cada vez se torna mais clara a urgência de mudar globalmente de paradigma. Entretanto, é salutar saber de exemplos de solidariedade e ética, que animam a esperança e são sinal de que a humanidade verdadeira mora para outras bandas.
A gente nem quer acreditar, quando lê, em Isabel Gómez Acebo e no Courier International, o exemplo impressionante do presidente do Uruguai, José Mujica. Após a eleição, continua a viver na sua pequena casa, numa zona da classe média, nos arredores de Montevideu. Tem um salário de 12500 dólares mensais, mas dá 90%, vivendo com 1250 (que lhe basta, pois muitos concidadãos vivem com menos). A mulher, a senadora Lucía Topolansky, também dá a maior parte do seu salário. Como transporte oficial utiliza um Chevrolet Corsa. Durante o Inverno, a residência oficial servirá de abrigo aos sem tecto. Mandou vender a residência de Verão do presidente, e o resultado da venda destina-se, entre outros usos, à construção de uma escola agrária para jovens sem posses.
Na reunião do Rio+20, pronunciou um discurso especial. Aconselhou a uma mudança de vida, pois foi para sermos felizes que viemos ao mundo. Ora, na sociedade actual, vivemos completamente obcecados com o consumismo: trabalhamos para consumir sempre mais... tendo de pedir empréstimos que temos de devolver, e esquecemo-nos da felicidade. É este o destino da vida humana? Terminou, estimulando à luta pela conservação do meio ambiente, porque "é o primeiro elemento que contribui para a felicidade".


DN, 20.10.2012 

O caso do Clio



MEUS QUERIDOS AMIGOS SOCIALISTAS.


Depois de ouvir o vosso líder parlamentar, numa extraordinária quão breve dissertação sobre os Renault Clio, venho pedir-vos que não gozem comigo, por ter comprado um, às prestações de 290 € por mês e usado. 
Não ando de Mercedes, BMW ou Audi, porque, como professor Catedrático do 4º escalão da Universidade de Coimbra, ( e Membro das Academias Nacionais da História, das Belas Artes, da Marinha, da Real Academia de Bellas Artes de San Ferando de Espanha e de mais meia dúzia delas, decano da área de Património das Universidades Portuguesas, Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, Medalha de Mérito-Classe Ouro de Belas Artes, Medalha de Ouro da Cidade de Coimbra, e com cerca de 200 livros e artigos publicados, 12 com prémios, como o Prémio Gulbenkian ), não tenho dinheiro para mais.
Percebi, ontem, que é vergonhoso andar de Clio, em Portugal, que isso nos apouca.
Só que isso nos diminui aos olhos de quem, na vida, nunca fez nada e nunca trabalhou no duro, e passou a juventude na intriga e a comer, beber e viajar à conta dos partidos políticos, a esperar pacientemente nas Jotas, para chegar a adulto e, de preferência, como o Zorrinho, para entrar para uma loja maçónica e na Assembleia ou num gabinete ministerial.
Eu cá, loja, só a mercearia do meu Avô, na Rua do Corvo. 
Afinal já percebo porque é que as minhas netas, às vezes, não querem vir ao meu colo: não é por birra, é que têm vergonha por eu ter um Renault Clio.

Pedro Dias

Choose your restaurant!!! (7)

Finalmente, os anos 90 (59)

22 de outubro de 2012

BOCHECHE




Mulher:
- Doutor, não sei o que fazer; sempre que o meu marido chega bêbado a casa, ele me enche de porrada.

Médico:
- Eu tenho um remédio muito bom para isso. Quando o seu marido chegar a casa embriagado, basta que você pegue numa chávena de chá de camomila e comece a bochechar. Não faça, mais nada, apenas bocheche, bocheche e bocheche...

(Duas semanas depois, ela volta ao médico, e parece ter renascido.)

Mulher:
- Doutor, a sua ideia foi brilhante! Sempre que meu marido chegou a casa bêbado, eu bochechei muitas vezes com chá de camomila e ele não me bateu.

Medico:
- Boa! Está a ver como calar a boca funciona??!!

BOA SEMANA.

(Amanhã é feriado em Macau e não há blogue; quarta-feira há mais).

Filosoficamente




Quando o marido chega em casa a mulher diz:

- A nossa empregada Margarida está grávida.

Ele responde, sem dar continuidade:
- Problema dela.

E a mulher lhe fala:
- Mas o pai da criança é você.

Ele responde seco:
- Problema meu.

A mulher já nervosa, lhe pergunta:
- Eu sou sua esposa, como fica? 

Ele novamente:
- Problema seu, não vamos misturar os problemas.


MARIDÃO!!!


Choose your restaurant!!! (6)


Finalmente, os anos 90 (58)

19 de outubro de 2012

Blogue Olhar Direito

Outra vez por aqui.
Desta vez com um gráfico, ilustrado, muito interessante.

10 homens e 1 mulher




Onze pessoas estavam penduradas numa corda num helicóptero. 

Eram dez homens e uma mulher. 
Como a corda não era forte o suficiente para segurar todos, decidiram que um deles teria que se soltar da corda.. 
Eles não conseguiram decidir quem, até que, finalmente, a mulher disse que se soltaria da corda, pois as mulheres estão acostumadas a largar tudo pelos seus filhos e marido, dando tudo aos homens e recebendo nada de volta e que os homens, como a criação primeira de Deus, mereceriam sobreviver, pois eram também mais fortes, mais sábios e 
capazes de grandes façanhas... 
Quando ela terminou de falar, todos os homens começaram a bater palmas..... 


Nunca subestime o poder e a inteligência de uma mulher!!!


Bom fim-de-semana!! 

Curriculum


Presado Cenhor,

Quero candidatarme pra o lugar de ceqretária que vi no jornau. Eu teclo muito de pressa con um dedo e fasso contas ben 
Axo que sou boa ao tefone  em bora  seija uma peçoa sem muito extudo.

O meu salario tá aberto há discução pra que o senhor possa ver o que mi pode pagar e o Cenhor axar qui eu meresso.

Pósso comessar imediatamente. Agradessida em avanso pela sua resposta.

Cinceramente,

Vanessa Silva

PS: Como o meu currico é muinto piqueno, abaicho tem 1 foto minha.





Resposta do Empregador:
Querida Vanessa,
O emprego é seu. Nós temos correção automática no word.
Compareça já amanhã...
Beijos!!!


3 fotos apenas


A vida de uma mulher em 3 fotos


Solteira


Casada


Divorciada

A vida de um homem em 3 fotos

Solteiro                                     Casado                Divorciado           

Choose your restaurant!!! (5)


Finalmente, os anos 90 (57)

18 de outubro de 2012

Doar 100 milhões para poupar 2.3 biliões?


Depois de mais um debate entre os candidatos à presidência dos Estados Unidos, e depois de, finalmente, se ter falado abertamente em Macau das doações de Sheldon Adelson a Mitt Romney (antes dele a Newt Gingrich), expondo a hipocrisia e o cinismo do candidato Republicano, o tal que recebe dinheiro (muito dinheiro!!) com origem na China enquanto critica o país na campanha presidencial, surgem cada vez mais indicadores  acerca das razões que levam Sheldon Adelson a ser tão generoso com os candidatos do Partido Republicano.
O magnata do Jogo, que viu a sua fortuna crescer exponencialmente desde que apostou forte em Macau e Singapura, constitui o exemplo perfeito do bem fundado do aforismo "não há almoços grátis".
Ao ler aqui o artigo que Travis Wilson assinou na publicação Think Progress (11 de Setembro, curiosamente) percebe-se que, muito acima de quaisquer convicções políticas, doar 100 milhões de dólares, na perspectiva de poupar 2.3. biliões à sombra do plano fiscal de Mitt Romney, é definitivamente um bom negócio.
Quem é que se lembrou de outro conhecido aforismo - "dar um chouriço a quem nos der um porco"?  

Tributar o pai, a mãe, o avô, a avó, o gato e o periquito - Pedro Guerreiro (Jornal de Negócios)



Não é apenas mais IRS. É mais tudo. Tudo o que mexe e tudo o que é inanimado. O destro e o canhoto. O que se tem e o que se perde. Quando rasteja e quando voa. Paulo Portas nunca pensou que acabaria a mandar tributar o pai, a mãe, o avô, a avó, o gato e o periquito do défice, que em
2004 atribuiu a Sousa Franco.

O aumento do IRS é avassalador, não apenas por causa da sobretaxa, mas através da redução do número de escalões do imposto. Essa redução faz sentido teórico: Portugal é dos países com mais escalões (oito, contra seis em Espanha, quatro no Reino Unido u dois na Irlanda). Mas, na prática, é apenas uma forma encapotada de aumentar o imposto.

Para aumentar a tributação não há como fugir ao IRS e ao IVA, que geram quase dois terços das receitas fiscais do Estado. Estando o IVA já encostado ao máximo europeu (só a Dinamarca tem uma taxa superior, de 25%), ataca-se o IRS. A versão preliminar do Orçamento do Estado, a que vários jornais tiveram acesso na tarde de quinta-feira, poderá ainda ser alterada até ao raiar de segunda-feira, dia da apresentação final. 

Mas confirmando-se os novos cinco escalões, topa-se o nível dos aumentos. O olhar humano tenderá a olhar para os limites mínimo e máximo dos novos escalões e compará-los com os antigos. 

Mas é no "miolo" que está o que interessa. 43% de todo o IRS liquidado em Portugal (dados de 2010, apurados pela Deloitte) foi suportado por contribuintes com rendimentos entre 17.979 e 41.349 euros, sujeitos a uma taxa normal de 34,88%. Grande parte deles pagará agora 37% (novo escalão entre os 20.000 e os 40.000 euros).

Mas não são só as taxas. São as deduções específicas, as deduções à colecta, os benefícios fiscais.
É o regime simplificado dos recibos verdes. É, nos outros impostos, taxas liberatórias nas rendas. O tabaco. O IMI, apesar do recuo na cláusula de salvaguarda. Este será o Orçamento mais extensivo de sempre, tributa quase à peça. É como se, além de tributar um sapato, tributasse a sola, a meia-sola, o salto, o couro e cada atacador.

Este é o lado A do Orçamento. O lado B é o do corte da despesa, que está por detalhar. Mas também aqui, é preciso olhar para os grandes números. A fatia de leão, já se sabe, são salários e prestações sociais. É assim que hoje ficamos a saber que ao corte de pensões e de ordenados na Função Pública, haverá também uma redução líquida dos subsídios de desemprego e de doença. E que 3% dos funcionários públicos passarão para o quadro de excedentários, onde receberão salário menor - antes de sair. Paga tudo, minha gente, em pé, deitado e acamado, activo, inactivo e emprateleirado.

O risco de tudo isto está mais do que diagnosticado: o aumento da economia paralela; e a espiral recessiva, em que se aumenta cada vez mais os impostos para uma receita cada vez menor numa economia progressivamente recessiva e repleta de desempregados. Até porque, se o Governo mantiver a sua previsão de quebra do PIB em 1% para o próximo ano, estará provavelmente a ser optimista.

É assim que, em Lisboa, se trabalha no problema financeiro e se dissimula o problema político. Mesmo sabendo que a solução está fora daqui. Está em Berlim , em Bruxelas, em Frankfurt, em Washington, está até em Tóquio, onde decorre a reunião anual do FMI.
Sim, FMI, o tal que diz que se enganou, afinal a sua prescrição falha... E vai fazer o quê? Brincar com o periquito?