30 de março de 2017

No dia de aniversário da minha filha Catarina


Hoje é o dia de aniversário da minha filha Catarina.
Um ano depois da maioridade o sentimento mantém-se teimosamente inalterado – ainda é difícil acreditar que a Catarina faz hoje 19 anos.
Assim como é difícil acreditar, muito mais aceitar, que este é o primeiro aniversário dela que não passamos juntos.
Eu sei que ela está ali ao lado, em Hong Kong, que está feliz, que está a viver a sua vida intensamente. 
Mas, como em muitas outras situações, logo ali ao lado pode ser na realidade muito longe. 
E, como há um ano (como sempre??), a vertente emocional teima em sobrepor-se à racional. 
Não estava preparado para a ver crescer tão depressa, ser tão independente tão depressa (alguma vez estaria??). 
O ano passado escrevia aqui que ela estava preparada para voar. 
Eu é que não estava preparado para a deixar voar. 
A realidade tem esse defeito tremendo de atropelar a vontade por mais que a gente não o queira. 
E ela voou, saiu do ninho. 
Ficou-me reservado o papel, enquanto pai, de ter permanente atenção ao voo. 
Mas sem nunca atrapalhar essa viagem, muito menos lhe cortar as asas. 
Juntamente com o desejo que esse voo seja sereno e atinja grandes altitudes. 
Sabendo que, se e quando houver algum percalço no caminho, cá estarei sempre, tão perto e tão longe, para a ajudar a ultrapassar esses maus momentos que a vida nos reserva e que no fim de contas nos fazem crescer. 
Não vou repetir que a adoro porque ela já sabe isso há muito tempo. 
Há 19 anos mais exactamente. 
Só lhe vou pedir, neste dia do seu aniversário, que seja ela a dar-me uma prenda, a maior que consigo imaginar. 
Citando o grande Raul Solnado – faz-me o favor de seres feliz!

Intemporais (68)

Hoje vou levar a minha filha Catarina às festas de garagem e às discotecas nos anos 80 do século passado.

29 de março de 2017

Venire contra factum proprium non valet


Venire contra factum proprium non valet.
Significa precisamente aquilo a que soa mesmo a quem não conhece estes brocardos latinos – não é lícito a ninguém vir contra actos próprios, não é lícito a ninguém arguir a seu favor o contrário daquilo que pratica.
Já não é primeira vez que faço referência a este princípio básico do Direito.
Desta vez a razão próxima é a discussão à volta da Lei de Terras.
Mais uma vez o Executivo vai ser chamado à Assembleia, mais uma vez se vai ouvir falar de hipotéticas promessas do anterior titular da pasta das Obras Públicas e Transportes, agora até vão ser ouvidas gravações das reuniões em comissão.
As mesmas que os senhores deputados nunca quiseram que fossem públicas, que fossem abertas ao escrutínio dos cidadãos.
Para quê?
Para criar mais confusão e tentar caçar uns votos em ano de eleições?
O que o Executivo (não é o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, é o Executivo) está a fazer é pura e simplesmente a cumprir escrupulosamente o que está legalmente previsto.
O que é que se espera?
Que o Executivo não cumpra a Lei?
A mesma Lei que os senhores deputados, depois de análise no Conselho Executivo, votaram e aprovaram?
Essa aprovação foi feita com reserva mental?
Não fossem ingénuos, não pensassem que conversas em circuito fechado, atrás de portas fechadas, valem mais que instrumentos legais, senhores deputados.
No fim de contas, depois de tanto barulho, de tanta discussão, a questão resume-se apenas com recurso aos velhos brocardos latinos – venire contra factum proprium non valet!
A Lei de Terras é muito recente (2013).
O que na vida de qualquer instrumento legal é insignificante.
Mesmo assim não presta?
Em vez de fazerem barulho proponham alterações e assumam o ónus político dessas alterações, senhores deputados.
Até lá muito bem andará o Executivo se cumprir escrupulosamente o que está legalmente previsto.
Doa a quem doer.

Only in America


Esta história aconteceu em Charlotte, na Carolina do Norte.
Um advogado comprou uma caixa de 24 charutos muito raros e caros, e segurou-os contra todos os riscos, incluindo INCÊNDIO !

Passado um mês, e depois de ter fumado todo o stock dos tais maravilhosos charutos, o advogado apresentou à companhia de seguros um pedido de indemnização, alegando que os seus charutos tinham sido “destruídos numa série de pequenos incêndios”.

A companhia de seguros recusou-se a pagar, alegando a razão óbvia que o senhor tinha consumido os charutos pela forma habitual e a que eles se destinam.
O advogado instaurou um processo contra a companhia de seguros, e GANHOU!!! Na sentença, o juiz concordou com a alegação de “falta de seriedade da queixa” aduzida pela companhia de seguros; mas apesar disso considerou que o advogado era titular de uma apólice, na qual se garantia que os charutos era seguráveis, e também se garantia que ficava seguro contra incêndios – sem definir o que razoavelmente deva ser considerado como tal (como seria o caso de os charutos serem fumados), e condenou a companhia a pagar a indemnização pedida.

Em vez de perder tempo e dinheiro com recursos caros, a companhia de seguros decidiu aceitar a sentença, e pagou ao advogado 15.000 dólares, a título de prejuízo sofrido pela perda dos seus charutos “numa série de pequenos incêndios”.

AGORA VEM O MELHOR…

Depois de o advogado ter recebido o dinheiro, a companhia de seguros fê-lo prender preventivamente por acusação de 24 FOGOS POSTOS!!!

Com base na prova constante da alegação do próprio advogado e coligida no processo por ele intentado, o advogado foi considerado culpado de ter intencionalmente incendiado a propriedade segura – e condenado a 24 meses de prisão, e multa de 24.000 dólares !!!

No ano seguinte, esta história, que é real, ganhou o primeiro prémio no “Concurso de Advocacia Criminal”.

28 de março de 2017

Um orgulhosamente sós de esquerda é melhor que um orgulhosamente sós de direita?


Ler as declarações de Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, no final da reunião da Mesa Nacional do Partido, acerca de um possível abandono da moeda única europeia e até de um reequacionar da participação de Portugal na União Europeia, deixaram-me a pensar se um orgulhosamente sós de esquerda será melhor que um orgulhosamente sós de direita.
Lembro-me da indignação, perfeitamente justa, com esta visão salazarista de isolamento do País.
E da indignação, perfeitamente justa, com semelhante visão vinda de Marine Le Pen, de Geert Wilders e outros que tais.
O que Catarina Martins está a propor afinal o que é?
Não é um regresso às fronteiras nacionais, à moeda nacional, à produção nacional?
Se assim é só é diferente dos populistas de direita porque não é racista, xenófoba, homofóbica.
Pelo contrário, é muito moderna e tem ideias muito progressistas, seja lá isso o que for, nestas questões ditas fracturantes.
Catarina Martins, que criticou em público (uma vez mais…) o primeiro-ministro do Executivo que viabiliza no Parlamento português, cada vez mais se parece com a versão feminina e portuguesa de Groucho Marx – “eu nunca pertenceria a um clube que aceitasse alguém como eu para membro”.
Seria só exótico se esta gente não tivesse responsabilidades governativas, ainda que indirectas.
Assim é simultaneamente anedótico e assustador.

Existe vida extra-terrestre? (Leonardo Boff)


Cientistas da Nasa descobriram uma estrela Trappist-1, distante 39 anos luz da Terra, com sete planetas rochosos, três dos quais com possibilidade de água e assim de vida. Esta descoberta recolocou a questão de eventual vida extra-terrestre. Façamos alguns reflexões sobre o tema, fundadas em nomes notáveis na área.

As ciências da Terra e os conhecimentos advindos da nova cosmologia nos habituaram a situar todas as questões no quadro da grande evolução cósmica. Tudo está em processo de gênese, condição para surgir a vida.

A vida é tida como a realidade mais complexa e misteriosa do universo. O fato é que há cerca de 3,8 bilhões de anos, num oceano ou num brejo primordial, sob a ação de tempestades inimagináveis de raios, de elementos cósmicos do próprio Sol em interação com a geoquímica da Terra, esta levou até à exaustão a complexidade das formas inanimadas. De repente, ultrapassou-se a barreira: estruturaram-se cerca de 20 aminoácidos e quatro bases fosfatas. Como num imenso relâmpago que cai sobre o mar ou brejo, irrompeu a primeiro ser vivo.

Como um salto qualitativo em nosso espaço-tempo curvo, num canto de nossa galáxia média, num sol secundário, num planeta de quantité négligeable, na Terra, emergiu a grande novidade: a vida. A Terra passou por 15 grandes dizimações em massa, mas como se fora uma praga, a vida jamais foi extinta.

Vejamos, rapidamente, a lógica interna que permitiu a eclosão da vida. À medida que avançam em seu processo de expansão, a matéria e a energia do universo tendem a se tornar cada vez mais complexas. Cada sistema se encontra num jogo de interação, numa dança de troca de matéria e de energia, num diálogo permanente com o seu meio, retendo informações.

Biólogos e bioquímicos, como Ilya Prigogine (prêmio Nobel em química, 1977), afirmam que vigora uma continuidade entre os seres vivos e inertes. Não precisamos recorrer a um princípio transcendente e externo para explicar o surgimento da vida, como o fazem, comumente, as religiões e a cosmologia clássica. Basta que o princípio de complexificação, auto-organização e autocriação de tudo, também da vida, chamado de princípio cosmogênico, estivesse embrionariamente naquele pontozinho ínfimo, emerso da Energia de Fundo, que depois explodiu. Um dos mais importantes físicos da atualidade, Amit Goswami, sustenta a tese de que o universo é matematicamente inconsistente sem a existência de um princípio ordenador supremo, Deus. Por isso, para ele, o universo é autoconsciente (O universo autoconsciente,Rio 1998).

A Terra não detém o privilégio da vida. Segundo Christiann de Duve, prêmio Nobel de biologia (1974):

“Há tantos planetas vivos no universo quanto há planetas capazes de gerar e sustentar a vida. Uma estimativa conservadora eleva o número à casa dos milhões. Trilhões de biosferas costeiam o espaço em trilhões de planetas, canalizando matéria e energia em fluxos criativos de evolução. Para qualquer direção do espaço que olhemos, há vida (...). O universo não é o cosmo inerte dos físicos, com uma pitada a mais de vida por precaução. O universo é vida com a necessária estrutura à sua volta”(Poeira vital: a vida como imperativo cósmico. Rio de Janeiro, 1997, 383).

É mérito da astronomia, na faixa milimétrica, ter identificado um conjunto das moléculas nas quais se encontra tudo o que é essencial para dar início ao processo de síntese biológica (Longair, M. As origens do nosso universo, Rio de Janeiro, 1994, 65-6). Nos meteoritos, encontraram-se aminoácidos. Esses, sim, são os eventuais portadores das arquibactérias da vida. Houve, provavelmente, vários começos da vida, muitos frustrados, até que um definitivamente se firmou.

Presume-se que as mais diversas formas de vida originaram-se todas de uma única bactéria originária (Wilson, O . E., A diversidade da vida, São Paulo, 1994). Com os mamíferos, surgiu uma nova qualidade da vida, a sensibilidade emocional e o cuidado. Dentre os mamíferos, há cerca de 70 milhões de anos, destacam-se os primatas, e depois, por volta de 35 milhões de anos, os primatas superiores, nossos avós genealógicos, e há 17 milhões de anos, nossos predecessores, os hominidas. Há cerca de 8-10 milhões de anos, emergiu na África o ser humano, o australopiteco. Por fim apareceu, há 100 mil o Homo sapiens-sapiens/demens-demens do qual somos herdeiros imediatos (Reeves, H. e outros, A mais bela história do mundo, Petrópolis, 1998).

A vida não é fruto do acaso (contra Jacques Monod, O acaso e a necessidade, Petrópolis, 1979). Bioquímicos e biológicos moleculares mostraram (graças aos computadores de números aleatórios) a impossibilidade matemática do acaso puro e simples. Para que os aminoácidos e as duas mil enzimas subjacentes pudessem se aproximar e formar uma célula viva, seriam necessários trilhões e trilhões de anos, mais do que os 13,7 bilhões de anos, a idade do universo. O assim chamado acaso é expressão de nossa ignorância. Estimamos que a evolução ascendente é produzir mais e mais vida, também extra-terrestre.

27 de março de 2017

Árvore Genealógica - Luiz Fernando Veríssimo



- Mãe, vou casar!

- Jura, meu filho?! Estou tão feliz! Quem é a moça?

- Não é moça. Vou casar com um moço. O nome dele é Murilo.

- Você falou Murilo... Ou foi meu cérebro que sofreu um pequeno surto psicótico?

- Eu falei Murilo. Por que, mãe? Está acontecendo alguma coisa?

- Nada, não. Só minha visão que está um pouco turva. E meu coração, que talvez dê uma parada. No mais, está tudo ótimo.

- Se você tiver algum problema em relação a isto, melhor falar logo...

- Problema? Problema nenhum. Só pensei que algum dia ia ter uma nora... Ou isso.

- Você vai ter uma nora. Só que uma nora... Meio macho. Ou um genro meio fêmeo. Resumindo: uma nora quase macha, tendendo a um genro quase fêmea...

- E quando eu vou conhecer o meu. A minha... O Murilo?

- Pode chamar ele de Biscoito. É o apelido.

- Está! Biscoito... Já gostei dele... Alguém com esse apelido só pode ser uma pessoa bacana. Quando o Biscoito vem aqui?

- Por quê?

- Por nada. Só pra eu poder desacordar seu pai com antecedência.

- Você acha que o Papai não vai aceitar?

- Claro que vai aceitar! Lógico que vai. Só não sei se ele vai sobreviver... Mas isso também é uma bobagem. Ele morre sabendo que você achou sua cara-metade... E olha que espetáculo: as duas metades com bigode.

- Mãe, que besteira ... Hoje em dia ... praticamente todos os meus amigos são gays.

- Só espero que tenha sobrado algum que não seja... Pra poder apresentar pra tua irmã.

- A Bel já tá namorando.

- A Bel? Namorando?! Ela não me falou nada... Quem é?

- Uma tal de Veruska.

- Como?

- Veruska...

- Ah!, bom! Que susto! Pensei que você tivesse falado Veruska.

- Mãe !!!...

- Tá..., tá..., tudo bem... Se vocês são felizes. Só fico triste porque não vou ter um neto...

- Por que não? Eu e o Biscoito queremos dois filhos. Eu vou doar os espermatozóides. E a ex-namorada do Biscoito vai doar os óvulos.

- Ex-namorada? O Biscoito tem ex-namorada?

- Quando ele era hétero... A Veruska.

- Que Veruska?

- Namorada da Bel.…

- "Peraí". A ex-namorada do teu atual namorado... E a atual namorada da tua irmã. Que é minha filha também... Que se chama Bel. É isso? Porque eu me perdi um pouco...

- É isso. Pois é... A Veruska doou os óvulos. E nós vamos alugar um útero.

- De quem ?

- Da Bel.

- Mas . Logo da Bel?! Quer dizer então... Que a Bel vai gerar um filho teu e do Biscoito. Com o teu espermatozóide e com o óvulo da namorada dela, que é a Veruska...

- Isso.

- Essa criança, de uma certa forma, vai ser tua filha, filha do Biscoito, filha da Veruska e filha da Bel.

- Em termos...

- A criança vai ter duas mães: você e o Biscoito. E dois pais: a Veruska e a Bel.

- Por aí...

- Por outro lado, a Bel.…, além de mãe, é tia... Ou tio.... Porque é tua irmã.

- Exato. E ano que vem vamos ter um segundo filho. Aí o Biscoito é que entra com o espermatozóide. Que dessa vez vai ser gerado no ventre da Veruska... Com o óvulo da Bel. A gente só vai trocar.

- Só trocar, né ? Agora o óvulo vai ser da Bel. E o ventre da Veruska.

- Exato!

- Agora eu entendi! Agora eu realmente entendi...

- Entendeu o quê?

- Entendi que é uma espécie de swing dos tempos modernos!

- Que swing, mãe?!!…

- É swing, sim! Uma troca de casais... Com os óvulos e os espermatozóides, uma hora no útero de uma, outra hora no útero de outra...

- Mas...

- Mas uns tomates! Isso é uma bacanal de última geração! E pior... Com incesto no meio...

- A Bel e a Veruska só vão ajudar na concepção do nosso filho, só isso...

- Sei!!!... E quando elas quiserem ter filhos...

- Nós ajudamos.

- Quer saber? No final das contas não entendi mais nada. Não entendi quem vai ser mãe de quem, quem vai ser pai de quem, de quem vai ser o útero, o espermatozóide... A única coisa que eu entendi é que...

- Que...?

- Fazer árvore genealógica daqui pra frente... vai ser tramado...


Luiz Fernando Veríssimo

BOA SEMANA!

24 de março de 2017

O NEVES NA MISSA


O casal Neves senta-se na primeira fila da igreja para que o Neves possa estar bem atento à missa, mas o Neves não costuma frequentar muito a igreja.
Adormece no meio da homilia, o padre dá por isso e resolve pregar-lhe um susto, fazendo-lhe uma pergunta directa:
- E você, Sr. Neves, diga quem foi que criou o céu e a terra ?
A mulher espeta um alfinete no rabo do Neves que acorda de sobressalto e grita :
- Meu Deus!
- Muito bem, Sr. Neves - diz o padre.
Afinal, não está errado....
As pessoas que estão por perto, olham para o Neves.
Daí a pouco o Neves volta a adormecer, e o padre vê que precisa de o acordar outra vez. 
Então pergunta-lhe:
- E responda-me agora, quem foi o filho de Maria e José?
A mulher volta a enfiar um alfinete no rabo do Neves, que acorda e diz alto:
- Jesus!
O padre percebe o que aconteceu, mas não pode dizer nada.
O povo presta ainda mais atenção ao Neves... A resposta está correcta !!!
Mas logo depois o Neves adormece novamente e o padre pergunta:
- O que disse Eva para Adão quando acordaram após a primeira noite juntos ?
Desta vez, antes que a mulher pudesse dar-lhe outra alfinetada, o Neves berra:
- SE ME ENFIAS ESSA MERDA NO CU OUTRA VEZ REBENTO CONTIGO.
O padre desmaiou!

BOM FIM-DE-SEMANA!

CLASSE É CLASSE!

 


Coincidentemente, dois juízes encontram-se no corredor do acesso a um motel e, constrangidos, reparam que cada um estava com a mulher do outro. 
Após alguns instantes de silêncios e de 'saia justa' mas, mantendo-se a compostura própria de magistrados, em tom solene e respeitoso um diz ao outro: 
- Nobre colega, e não obstante este fortuito imprevisível, sugiro que desconsideremos o ocorrido, crendo eu que o CORRECTO seria que a minha mulher venha comigo, no meu carro, e a sua mulher volte com Vossa Excelência no seu.
Ao que o outro respondeu: 
- Concordo plenamente, nobre colega, que isso seria o CORRECTO, sim... no entanto, não seria JUSTO, levando-se em consideração que... vocês estão saindo... e nós estamos entrando.

O inglês de uma chinoca


Numa agência de viagens em Xangai, perguntei à menina chinesa atrás do balcão se ela poderia escoltar-me num city tour e pedi-lhe o número do telemóvel para poder contactá-la. Ela fez um grande sorriso, assentiu com a cabeça e disse:
“Sex sex sex, wan free sex for tonight”.
Eu respondi: 
"Uau, vocês, mulheres chinesas, são realmente hospitaleiras!" 
Um tipo ao meu lado tocou no meu ombro e disse: 
"O que ela realmente disse foi: 666136429."

23 de março de 2017

Os chineses nunca organizam umas eleições sem saberem quem as vai ganhar


Os chineses nunca organizam umas eleições sem saberem quem as vai ganhar.
A frase não é de minha autoria, foi proferida em várias ocasiões por uma grande personalidade da sociedade de Macau já falecida.
Mas revela-se actual e perfeita na sua génese e reflexão.
Os chineses nunca organizam umas eleições sem saberem quem as vai ganhar.
Vai ser assim no próximo domingo quando o Colégio Eleitoral escolher o próximo Chefe do Executivo de Hong Kong.
A primeira mulher a ocupar este cargo, Carrie Lam Yuet-ngor.
Preferida por Pequim, escolhida por Pequim, aquela que foi Secretária – Chefe da Administração de Leung Chun-ying não terá dificuldades em vencer o que foi seu colega no Executivo de Hong Kong (John Tsang Chun-wah, Secretário da Finanças) e o juiz, na reforma, Woo Kuok-hing.
Se John Tsang é o candidato capaz de fazer a ponte entre os vários sectores da desavinda sociedade de Hong Kong, e Woo Kuok-hing o corredor solitário, Carrie Lam é a figura dura que Pequim acha ser capaz de pôr ordem em Hong Kong.
Com a escolha de Carrie Lam, obviamente sem ser oficial, apenas em jogo de sombras, Pequim demonstra claramente a Hong Kong quem manda e faz passar a mensagem que não está interessada em diálogo, pontes, quer harmonia e obediência porque antes dos dois sistemas está e estará sempre o País.
Carrie Lam que, mesmo com o apoio e o beneplácito de Pequim, ou até muito por causa disso mesmo (o honkonger não gosta nada de ver Pequim a interferir nos assuntos da Região Administrativa Especial), terá uma pesada cruz para carregar nos seus anos de governação.
Unir uma sociedade de Hong Kong em estilhaços será o maior desafio.
Os outros (regulamentação do artigo 23º da Lei Básica, por exemplo) virão depois e em consequência.
Pequim escolheu (oficiosamente) e já se sabe quem vai ganhar as eleições em Hong Kong no próximo domingo.
Porque a China não gosta nada de surpresas e de possíveis erros nas sondagens.

Intemporais (67)

22 de março de 2017

Figurinhas e figurões


Ainda ontem aqui enaltecia o sonho europeu, a utopia real que é a União Europeia e tudo o que a organização representa.
No diálogo que se estabelece com quem lê e comenta houve unanimidade num ponto - a ausência de grandes referências, de grandes líderes, de figuras carismáticas no panorama actual da União Europeia.
Aos grandes líderes que sonharam, criaram e desenvolveram o que é actualmente a União Europeia, sucederam uma série de figurinhas e figurões, carreiristas que vivem à sombra da política, que se servem dessa que devia ser uma actividade nobre e ao serviço do outro.
Mesmo com este panorama sombrio estava longe de imaginar que uma dessas figurinhas, que se julga um figurão, o presidente do Eurogrupo, o inenarrável de nome impronunciável, Jeroen Dijsselbloem, de cabeça perdida depois da humilhante derrota sofrida pelo seu partido nas eleições holandesas, seria capaz de ofender de forma tão torpe países e povos que foram sujeitos a grandes sacrifícios, que viram as taxas de desemprego crescer, as populações viver em grandes dificuldades, os jovens sair porque não encontravam trabalho nos seus países, famílias desagregarem-se e viverem sem perspectivas de um amanhã mais risonho.
Jeroen Dijsselbloem, mais preocupado com a forte possibilidade de perder o seu tacho, resolveu descarregar a fúria nos povos que gastam todo o dinheiro em "copos e mulheres" (todos conhecemos a versão deste pensamento idiota em português mais vernáculo...) e depois têm a desfaçatez de pedir ainda mais. 
Às figurinhas e aos figurões, assim como aos meninos ladinos que se portam muito mal e são mal educados, deve dar-se uma lição que nunca mais esqueçam. 
No caso desta figurinha, que se julga figurão, aquilo que tanto teme e que o desorientou de uma vez por todas - um chuto nos fundilhos!

A rua mais bonita do mundo é em Portugal


A rua mais bonita do mundo é em Portugal
A rua da Bica de Duarte Belo, em Lisboa, que liga a Travessa do Cabral ao Largo do Calhariz foi eleita como a rua mais bonita do mundo, a par dos Champs-Élysées e a 5ª Avenida.
A votação decorreu num conjunto de sites americanos, que pretendiam saber qual é a rua mais bonita do mundo com base na opinião de milhares de utilizadores e as suas experiências nas respectivas cidades.
O conhecido funicular, o Elevador da Bica, é uma das principais referências da Rua da Bica e que todos os dias leva milhares de turistas aquele local na cidade de Lisboa.
Inaugurado no dia 29 de Junho de 1982, o Elevador da Bica é visita obrigatória para quem quer conhecer a capital do país.
Para além da rua da Bica, outros locais de cidades conhecidas foram distinguidos, como é o caso da Via Dei Fiori Imperiali, em Roma, Itália. A 5ª Avenida é outro dos locais que não podia ficar de fora da eleição das ruas mais belas do mundo. Os Champs-Élysées, com cerca de 250 metros de largura, é outra das ruas eleitas.

(Será esta uma das tais ruas em que se gasta o que se tem e o que não se tem em "copos e mulheres"???) 

21 de março de 2017

A Europa sessenta anos após a assinatura dos Tratados de Roma


Completam-se no próximo sábado (25 de Março) sessenta anos desde a assinatura dos Tratados de Roma que instituíram a Comunidade Económica Europeia (CEE) e a Comunidade Europeia da Energia Atómica (Euratom).
Numa época de grande turbulência dentro da União Europeia, de dúvidas acerca da sua utilidade e do seu futuro, será bom recordar que foram os Tratados de Roma que iniciaram o maior período de paz e prosperidade que a Europa conheceu.
Uma Europa que proteje os direitos dos seus cidadãos, que preserva  e reconhece direitos, liberdades, garantias, que confere uma protecção social aos seus cidadãos como nenhum outro espaço no Mundo.
A Europa dos valores, da cultura, da imensa e rica História.
A mesma Europa (não só a União Europeia, mas também) que vê uma substancial parte dos seus países no topo dos índices do Relatório Mundial da Felicidade.
Sábado, por entre os festejos, deverá haver tempo para repensar algumas questões que ensombram a União Europeia.
E olhar com outros olhos para outros espaços e modelos de integração a nível mundial.
Se a transferência de poderes associados à noção de soberania do espaço nacional para o supranacional é típica e essencial nesta aventura que é a União Europeia, não será de todo despiciendo discutir a extensão dessa transferência e pensar num processo de devolução de parte dos mesmos ao espaço nacional, nomeadamente aos parlamentos nacionais.
Até para afastar a ideia de monstro burocrático que anda associada à União Europeia.
Como deverão ser repensados os mecanismos de tomada de decisão (o menor denominador comum não é por natureza um defeito...), a vontade e medida de integração dos vários países que compõem o projecto, o alargamento a outros países que ainda não integram esse projecto, uma maior coordenação de políticas de segurança interna que não impliquem um fechar de fronteiras tão contrário ao ideal europeu.
Pensando, discutindo, questionando, mas festejando, porque há muitas razões para festejar, este sonho lindo que completa agora sessenta anos.