19 de janeiro de 2018

Senha de computador



Zé, 70 anos de idade.
Primeiro dia de aulas  na Escola de Informática para a 3ª idade.

Windows 10:
-Digite a sua senha.

Zé:
-Zé.

Windows 10:
-Desculpe, a senha não pode ser o seu nome.

Zé:
-Zi.

Windows 10:
-Desculpe, deve conter pelo menos 6 caracteres.

Zé:
-Pepino.

Windows 10:
-Desculpe, a senha deve conter pelo menos um número.

Zé:
-Um pepino.

Windows 10:
-Desculpe, a senha deve conter pelo menos um número em forma de algarismo.

Zé:
-1 pepino.

Windows:
-Desculpe, a senha não pode conter espaços.

Zé:
-1pepinodemerda.

Windows:
-Desculpe, a senha deve conter pelo menos uma maiúscula.

Zé:
-1pepinodeMERDA.

Windows:
-Desculpe, a senha não pode conter maiúsculas sucessivas.

-1PepinoDeMerda!!!

Windows 10:
-Desculpe, a senha não pode conter símbolos de pontuação.

Zé:
-1PepinoDeMerdaParaQueOenfies
NoCuSeuFilhoDaPutaQueTePariu.

Windows !0:
-Desculpe, essa senha já existe.


BOM FIM-DE-SEMANA!

18 de janeiro de 2018

Conversações acerca da situação na península coreana sem a participação da China e da Rússia?


A Cimeira de Vancouver, que reuniu naquela cidade canadiana vinte nações que discutiram a situação política e militar na península coreana, teve uma característica muito peculiar – os países vizinhos da Coreia do Norte, aqueles que supostamente mais influência podem ter no regime norte-coreano, e que também supostamente mais o apoiam, a China e a Rússia, ficaram de fora.
Uma opção verdadeiramente estranha, bizarra mesmo, que é difícil compreender e explicar.
Os restantes países estão fartos da postura de russos e chineses e querem que ambos sejam mais interventivos (Trump fala mesmo em boicote por parte dos russos relativamente a todo o processo)?
Mas, se assim é, deixar ambos fora das conversações acerca do futuro de uma zona do Globo na qual geograficamente se inserem e politicamente são influentes, não parece ser a estratégia mais acertada.
Uma estratégia que foi recebida com espanto e indignação em Moscovo e em Pequim.
Indignação que cresceu quando russos e chineses souberam que poderiam participar em todo o processo, especialmente no seu final e nas suas conclusões, mas apenas com o estatuto de observadores.
De quem terá partido tão estranha ideia, tão peculiar estratégia?
Fosse quem fosse não perceberá que a Rússia e a China, até por partilharem fronteira com a Coreia do Norte, são interlocutores absolutamente indispensáveis no processo de pacificação da península coreana?
Doravante, sempre que for pedida a intervenção de russos e chineses para refrear os ímpetos armamentistas do tirano norte-coreano, não será muito surpreendente se de Moscovo e de Pequim vier um grito em uníssono – Vancouver!

Intemporais (102)

17 de janeiro de 2018

Xeque-mate de Macron a Merkel


Emmanuel Macron vai dando provas de ser um político muito hábil.
A recente visita à China, preparada ao pormenor, gerida com pinças, espalhando charme, colocou Macron temporariamente ao leme da União Europeia.
Aproveitando o longo processo de negociações para formar governo na Alemanha, Macron fez na Europa o que Xi Jinping está a fazer no Mundo perante a trajectória errática de Donald Trump.
Num e noutro caso ambos se revelaram políticos atentos e decididos.
E ambos souberam aproveitar hesitações alheias para agarrarem o leme de uma Europa ainda abalada pelo Brexit e farta de esperar por uma solução governativa na Alemanha, de um Mundo carente de uma liderança forte agora que Trump segue firme o seu caminho anedótico e disparatado.
Macron veio à China (o novo líder da Europa veio ao encontro do novo líder mundial?), evitou temas que sabe serem complexos e sensíveis, espalhou charme, ficou pela diplomacia e pelo business as usual.
Angela Merkel viu-se forçada a exigir rápida definição de posições a Martin Shulz e não se coibiu de dar a entender isso mesmo nas declarações que fez à imprensa – “o Mundo não espera por nós”. 
Xeque-mate de Macron a Merkel com a chanceler alemã a ver-se forçada a responder em curto espaço de tempo.
Chapeau, Monsieur Macron!

Dicionário de Angolano (a riqueza da Língua Portuguesa nas suas variações)

16 de janeiro de 2018

Segundo sistema em julgamento


Começa hoje o julgamento de Sulu Sou e Scott Chiang estando ambos acusados da prática de crime de desobediência qualificada.
Um julgamento que pode inclusivamente conduzir ao afastamento da Assembleia Legislativa de um dos poucos deputados eleitos directamente pela população.
Logo ali ao lado, nessa mesma Assembleia Legislativa, vota-se uma Resolução de todo desnecessária e absolutamente infeliz.
Na zona dos lagos da Nam Van, mais que Sulu Sou e Scott Chiang, pode dizer-ser que vai hoje a julgamento o segundo sistema em Macau.
Os Tribunais e a Assembleia Legislativa têm hoje a responsabilidade de dizer claramente o que pensam acerca desse segundo sistema e da sua aplicação a Macau, do que querem que seja a Região Administrativa Especial de Macau hoje e no futuro.
Um dia muito importante para Macau, para o princípio “um país, dois sistemas”, um dia que pode muito bem ser o primeiro dia do resto das nossas vidas.
Esperemos que haja bom senso nas sedes do Legislativo e do Judicial para que se possa dar continuidade sem mais sobressaltos a essa experiência política única que resultou da visão genial de Deng Xiaoping.

Narcos 2018 (Ricardo Araújo Pereira)



Foi um dos casos mais graves da minha carreira e afectou a nossa unidade para sempre. Estávamos em Janeiro de 2018, escassos dias após a publicação em Diário da República do despacho nº 11391/2017, que limitava a venda de produtos prejudiciais à saúde em bares e cafetarias de instituições do Ministério da Saúde. Salgados, pastelaria, charcutaria e refrigerantes tinham sido banidos desses espaços, para estimular hábitos de alimentação saudáveis. Eu, Javier Peña, e o meu colega Steve Murphy, fomos enviados pela DEA americana para ajudar Portugal na luta contra os fritos e as gorduras saturadas. A nossa primeira missão, que seria também a última, foi vigiar a cantina do Hospital de Santa Maria. À primeira vista, estava tudo bem: a cantina vendia apenas frutas, legumes e vários produtos desenxabidos. Mas os frequentadores do hospital pareciam manter uma certa felicidade bastante suspeita, e o Ministério mandou investigar. No princípio, não demos por ele. João Diogo Dias vinha visitar uma tia, operada a uma hérnia. De repente, na ala em que a tia estava internada, os outros doentes começaram a ficar mais alegres. Riam alto, conversavam, não tinham qualquer intenção de impingir uns aos outros receitas de batidos verdes. Era óbvio que não estavam a seguir uma alimentação saudável. O Murphy ofereceu-se para se infiltrar à paisana e descobriu tudo. Dias depois, João Dias estava sentado à minha frente na sala de interrogatórios, depois de ter sido apanhado na posse de um tupperware com 10 croquetes, cinco rissóis e três empadas.
– Sr. Dias – disse eu –, sabe qual é a pena para quem trafica salgadinhos?
João Dias não respondeu.
– Isto mata, sr. Dias. Os seus são especialmente perigosos, porque são caseiros.
– Não é tráfico, eu trouxe-os para a minha tia. Os outros doentes pediram-me e eu ofereci.
– Sabemos como isto funciona, sr. Dias. Os primeiros são oferecidos, até os clientes ficarem agarrados ao rissol. O meu colega, que se infiltrou à paisana, e a quem ofereceu dois croquetes, está neste momento a fazer análises. O colesterol dele subiu dois pontos. Dois pontos, sr. Dias. E está perdido. Não creio que possa voltar a trabalhar. Quando o levaram para a clínica, gritava “Deixem-me só provar as chamuças!”, e também “Aquilo deve ir bem é com uma imperial fresquinha!” Ele nem sequer é português, sr. Dias.
– Eu só queria animar a minha tia. Ela gosta de croquetes.
– O problema é que isto não é um produto inofensivo que possa ser usado para fins médicos, como a marijuana.
– Se eu tivesse marijuana no tupperware deixavam-me ir?
– Claro. Estamos inclusivamente a estudar uma proposta de legalização. Isto dos croquetes é que é muito nocivo. Mas nós não estamos interessados em si, sr. Dias. Sabemos que é apenas o correio. Se nos disser quem produz estes croquetes, não o acusaremos. O nosso laboratório diz que os seus croquetes são dos mais puros que eles já viram: carne a sério, refogado puxadinho, pedaços de chouriço. Quem os fez sabia o que estava a fazer.
– Mas desde quando é que os croquetes são proibidos?
– Desde Dezembro. Tem de estar mais atento aos despachos do Ministério da Saúde. Vamos, sr. Dias. Só precisamos de um nome.
Fez-se um silêncio. Finalmente, o homem quebrou:
– Clotilde Dias.
– Quem é?
– A minha avozinha.
– Devíamos ter adivinhado. São sempre elas. Essa geração está perdida.

(Crónica publicada na VISÃO 1296 de 4 de Janeiro)

15 de janeiro de 2018

NUNCA UMA ANEDOTA FOI TÃO REAL


O JOÃOZINHO MORREU
Sim, aquele puto das anedotas que tinha sempre uma resposta malandra pronta para dar às professoras e as deixava loucas.
A Morte veio buscar o Joãozinho porque tinha chegado a hora de ele pagar pelas travessuras que fez em Vida.

MORTE:
- Meu jovem, chegou a tua hora, tenho que te levar deste mundo.

JOÃOZINHO:
- Mas eu posso fazer o meu último pedido, não posso? Não é assim que funciona?

MORTE:
- Por teres praticado várias travessuras, e com isso teres facilitado o meu serviço, vou-te deixar fazer o último pedido, mas não podes pedir para não morrer.

O Joãozinho pensou..., pensou..., e escolheu o seu último desejo.
- Quero assistir ao pagamento total da dívida que Portugal tem para com o Banco Central Europeu!

MORTE:
- Que grande passarão!...Ganhaste a Vida Eterna!

BOA SEMANA!

12 de janeiro de 2018

11 de janeiro de 2018

Pena de morte para terroristas?


Os governantes israelitas, fortalecidos pelo recente apoio dado por Donald Trump, preparam-se para alterar o Código Penal e alargar o âmbito de aplicação da pena de morte para passar a abranger os condenados por terrorismo.
Um parlamento muito dividido (52 votos a favor da alteração e 49 contra) deixou passar a proposta em primeira votação.
Uma proposta com origem no Ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, apoiada pelo Primeiro-Ministro, Benjamin Netanyahu.
Foi só uma primeira votação, outras se seguirão, mas a possibilidade desta emenda, que segue ao arrepio do que é norma nas democracias civicamente mais bem preparadas, ser aprovada é cada vez mais real.
Respaldada no apoio americano, a Direita israelita, os mais ortodoxos de todos os ortodoxos, prepara-se para aprovar um retrocesso civilizacional na forma de uma medida que está mais que provado tem poucos ou nenhuns efeitos práticos.
Se a pena de morte tem vindo a ser progressivamente abolida porque já se percebeu que é desumana, aberrante, porque se presta a erros incorrigíveis, porque como instrumento de política criminal se revela pouco ou nada eficaz, aplicar a mesma a terroristas, a quem afirma ter orgulho e vocação para ser mártir, chega ao nível do patético.
Afinal, e de um ponto de vista estritamente prático, que já não legal ou moral,  qual é o efeito dissuasor de ameaçar de morte quem se entrega voluntariamente e gloriosamente à morte?

Intemporais (101)

10 de janeiro de 2018

Tótó nosôtro tudo hoji abrí nosso coraçám e braço pa recebê vôs


Tótó nosôtro tudo hoji abrí nosso coraçám e braço pa recebê vôs.
Esta expressão do típico dialecto macaense (patuá) resume na perfeição a Macau que eu amo, a Macau inclusiva, aberta a todos, que acolhe quem aqui chega e é rapidamente transformado em filho da terra.
Uma Macau que está cada vez mais sob ataque cerrado de pessoas que em grande parte nem sequer aqui nasceram, de pessoas que aqui aportaram, que aqui refizeram as suas vidas e que agora se julgam detentores de um estatuto especialíssimo e de direitos ilimitados só porque possuem um Bilhete de Identidade de Residente.
Direitos tão ilimitados que vão ao ponto de considerar os que não possuem esse documento verdadeiramente como gwai lo.
Não gwai lo no sentido vulgar do termo, no sentido de estrangeiros, mas num sentido muito próximo da tradução literal (gwai lo = diabos negros).
Está dado o passo que separa um tratamento algo carinhoso da pura xenofobia, do medo ou aversão a estrangeiros.
Está dado o passo que Macau nunca poderia dar.
Macau, cidade de vício e tentação, nunca devia ceder à tentação de caminhar no sentido oposto ao que sempre a definiu e a diferenciou.
Não tem sido assim, há que assumi-lo com frontalidade.
E não será assim se se insistir na ideia descabida e ofensiva de aprovar tarifas de autocarros diferentes para residentes e não-residentes.
Porquê? Porque umas vozes de burro, que acreditem não chegam mesmo ao céu (Pequim), resolveram que assim tem que ser? Porque noutras cidades se faz o mesmo?
Mas as outras cidades não são Macau, não dependem dos não-residentes como Macau depende, não são tão inclusivas como Macau sempre foi e deveria continuar a ser.
O que é que aconteceu à letra e ao espírito da expressão tótó nosôtro tudo hoji abri nosso coraçám e braço pa recebê vôs?

Dantes era médico






9 de janeiro de 2018

Macau sã assi?


Entro no meu vigésimo terceiro ano de permanência em Macau tão surpreendido como no primeiro dia em que aqui cheguei com algumas particularidades (não se fala em especificidades que pode ferir susceptibilidades aprendi logo em 1995) da Cidade do Santo Nome de Deus que tão calorosamente me acolheu e que mudou a minha vida para sempre.
Ouvir um responsável governamental admitir publicamente que as autoridades administrativas e policiais não conseguem ter mão num bando de crápulas que por acaso têm a carteira profissional de taxista é no mínimo surreal.
Quem vive em Macau, e quem a visita, sabe que há um grande número de taxistas (não são todos mas são muitos) que vive literalmente à margem da lei.
Um cenário que tem tanto de revoltante quanto de real.
Partir daí para uma confissão pública de impotência para fazer face ao problema é, do ponto de vista do cidadão ou do visitante, simplesmente frustrante e assustador.
Já não é só falta de vontade política para fazer implementar a lei, eventualmente até revê-la no sentido do agravamento de penas para os prevaricadores como acontece em tantos outros domínios da vida pública.
É falta de capacidade para sequer fiscalizar o cumprimento da lei em vigor.
Uma lei que, em boa verdade, afinal não é mais que letra morta.
Macau sã assi?
Talvez…mas a estas particularidades não me consigo habituar, nem quero, por mais tempo que aqui permaneça.

Receita de ano novo (Carlos Drummond de Andrade)


Receita de ano novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade