23 de outubro de 2017

Gosto muito desta explicação... reconfortante!


No concernente a caducidade das chamadas “Pessoas da Terceira Idade”, os Geriatras explicam que é uma etapa da vida que varia conforme a cultura e desenvolvimento da sociedade em que tais pessoas vivem. Por exemplo, em países classificados como em vias de desenvolvimento, alguém é considerado da "Terceira Idade" a partir dos 60 anos. No entanto a Geriátrica ou Geriatria, ramo da medicina que foca o estudo, a prevenção e as principais ocorrências na pessoa idosa, considera que somente após alcançar 75 anos a pessoa é considerada de "Terceira Idade". Nessa idade as pessoas têm habilidades regenerativas limitadas. As mudanças físicas e emocionais expõem a perigo a qualidade de vida dos idosos.
O Geriatra Alemão Dr. Michael Ramscar considera que:
" Afinal, os cérebros das pessoas mais velhas são lentos só porque elas sabem muito. As pessoas não declinam mentalmente com a idade. Os cientistas acreditam que elas apenas têm mesmo mais tempo para recordar fatos e acumulam muito mais informações nos seus cérebros. Muito parecido com o que acontece nos discos rígidos dos computadores quando ficam cheios, dificultando assim o tempo de acesso às informações pretendidas. Os investigadores dizem que esta desaceleração não é o mesmo que o declínio cognitivo. O cérebro humano funciona mais lentamente na velhice, disse o Dr. Michael Ramscar, mas apenas porque temos armazenadas mais informações. Com o tempo, o cérebro de pessoas mais velhas não fica mais fraco. Pelo contrário, elas simplesmente sabem mais.
Mesmo quando as pessoas mais velhas se esquecem do que iam fazer na outra dependência da casa, esse não é um problema de memória mas apenas uma forma da Natureza as obrigar a fazer mais exercício físico".
Eu sei que tenho mais amigos a quem deveria mostrar isto mas, de momento, não consigo recordar os respectivos nomes. Por isso, agradeço que o enviem aos vossos amigos. 
Quem sabe eles também são meus amigos...

Mais uma do FerreirAmigo

20 de outubro de 2017

19 de outubro de 2017

Responsabilidade política


A doutrina brasileira ensina que “(…) a responsabilidade política pauta-se em princípios que derivam do conceito de representação. A priori, a representação caracteriza a transferência de poderes de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos, para outro ou outros, tornando quem recebe tal parcela de poder, responsável pelos atos que adotar, em nome de quem transferiu, cabendo-lhes uma contra-prestação, traduzida no dever de prestar contas dos seus atos que geram efeitos para o outorgante.”
A tragédia brutal que Portugal enfrenta pela segunda vez no espaço de poucos meses com os incêndios florestais e as suas consequências dantescas, trouxe a expressão responsabilidade política para o espaço público como poucas vezes terá acontecido anteriormente.
Pedia-se que a Ministra e o Secretário de Estado da Administração Interna assumissem a responsabilidade política pelos inúmeros casos de ferimentos ou morte de pessoas inocentes, pela brutal devastação causada pelos incêndios.
Os responsáveis políticos deveriam, seguindo a noção supracitada, prestar contas pelo que aconteceu e não poderia ter acontecido.
É essa a minha opinião também.
Se o número brutal de vidas e bens perdidos já seriam motivo mais que suficiente para responsabilizar politicamente a Ministra e o seu Secretário de Estado, o comportamento de ambos ainda mais viria reforçar essa óbvia consequência.
Não só eram eles os responsáveis directos pela remodelação das estruturas da protecção civil, as mesmas que falharam de modo rotundo no combate ao flagelo dos incêndios, como eram também os responsáveis directos pela decisão catastrófica de desactivar parte desses meios quando a chamada época Charlie já se teria esgotado.
Se tudo isto não fosse bastante para responsabilizar ambos, as declarações que proferiram publicamente seriam o ponto de não retorno.
Constança Urbano de Sousa e Jorge Gomes são os únicos responsáveis pelas catástrofes vividas em Portugal?
Claro que não.
Não só não são os únicos, como não serão talvez os maiores responsáveis por essas situações, como o seu afastamento não vai corrigir o muito que tem que ser corrigido.
Políticas de florestação e reflorestação erradas ao longo dos anos, ausência de prevenção, negligência criminosa e mão criminosa na origem de muitos incêndios, são fenómenos de todos conhecidos.
Mas não é de alteração de políticas e mentalidades que agora se trata.
Porque essas são questões que não se tratam no imediato.
No imediato o que pode e deve ser tratado é a responsabilização política dos titulares de cargos públicos.
Não perceber isso revela um autismo incompreensível.
O Presidente da República, que se tinha remetido a meras declarações de circunstância, deu finalmente um murro na mesa.
E exigiu medidas imediatas.
Medidas que passam pela confirmação do apoio parlamentar ao actual Governo, apoio esse que garantirá a implementação de reformas políticas inadiáveis, e uma alteração de pessoas percebendo-se bem quem eram os visados.
Sábado, prometeu Carlos César, depois da reunião do Conselho de Ministros, haveria novidades.
Não foi preciso esperar por sábado.
A Ministra da Administração Interna percebeu finalmente que não tinha quaisquer condições para permanecer em funções e apresentou o pedido de demissão.
Que o Primeiro Ministro aceitou, conhecendo-se já o nome do novo Ministro, Eduardo Cabrita, a quem desejo as maiores felicidades neste novo desafio.
Eduardo Cabrita que, naturalmente, irá reformular a desgastada equipa do Ministério da Administração Interna.
Para, depois sim, se discutirem medidas de intervenção profunda.
Com outras pessoas, outras caras, esperemos com maior convergência entre as diversas forças políticas que os problemas são demasiados e demasiado graves para serem tratados ao nível da chicana política.
São problemas de uma dimensão extrema, a exigirem um verdadeiro pacto de regime, que será também o que o Presidente da República pretenderá com o voto de confiança da Assembleia da República que exige.

Intemporais (89)

18 de outubro de 2017

Tudo em aberto (mas muito complicado)


O Porto perdeu na Alemanha.
Não seria notícia porque o mais normal é as equipas portuguesas perderem contra equipas alemãs, sobretudo quando os jogos se realizam na Alemanha.
Desta vez foi o Porto e foi em Leipzig.
Num jogo entre segundos classificados dos campeonatos dos respectivos países na última época, a equipa alemã ganhou porque foi superior.
Se é efectivamente superior isso já é outra conversa.
Ontem foi, em todos os capítulos do jogo, e ganhou com justiça.
Sérgio Conceição, que tinha dito na conferência de imprensa que não era pago para fazer surpresas, resolveu surpreender.
Dar a titularidade a José Sá, num jogo de Liga dos Campeões, e deixar Casillas no banco, pode ser um voto de confiança no jovem guarda-redes.
Mas o momento para dar essa injecção de confiança foi muito mal escolhido.
E com consequências muito nefastas.
O sector defensivo do Porto, por norma forte, ontem tremeu bastante.
E começou a tremer com o primeiro golo dos alemães e com um erro crasso de José Sá.
Sérgio Conceição, no final do jogo, reconhecia essas falhas do sector defensivo do Porto no jogo de ontem.
E mostrava-se surpreendido com as mesmas.
Não querendo crucificar José Sá e Sérgio Conceição, muita dessa tremideira poderá bem ter passado pela aposta, precipitada e descabida (Sérgio Conceição afirmou inequivocamente que a decisão de deixar Casillas no banco foi estritamente técnica) num jovem e inexperiente guarda-redes em detrimento de outro que é "só" dos jogadores mais experientes na Liga dos Campeões.
Está tudo em aberto no grupo.
Mas muito complicado.
O Besiktas estará muito perto de se apurar.
As outras três equipas (sim, incluindo o Mónaco) lutam pela outra vaga na Liga dos Campeões.
Se isso é verdade, também não o será menos o facto de o Porto estar obrigado a ganhar ao Leipzig já daqui a duas semanas no Dragão. 

Soneto, obra-prima do trocadilho, escrito no século XVII por Frei António das Chagas (António Fonseca Soares) - reedição


CONTA E TEMPO

Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero fazer conta, e não há tempo.

Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta!

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta,
Chorarão, como eu, o não ter tempo...

17 de outubro de 2017

Cleptómanos


Diz-se cleptómano um indivíduo que sofre de cleptomania, um distúrbio que o leva a roubar compulsivamente, a ter um desejo mórbido de se apropriar de algo que não lhe pertence.
Só um distúrbio mental semelhante poderá explicar o comportamento de alguns taxistas em Macau.
Por mais que as multas sejam agravadas, que a vigilância aperte (será assim??), que a opinião pública se revolte, que as queixas se acumulem, uma série de indivíduos sem escrúpulos, muito provavelmente cleptómanos, insiste no acto de roubar (a violência não é física, é psicológica, é explorar ausência de alternativas).
O que leva a pensar que, para além de cleptómanos, serão também delinquentes por tendência.
Poucos dias depois de se terem conhecido queixas de turistas, que espalham a pior imagem de Macau aqui e nos locais de origem, tendo como origem o (péssimo) comportamento de alguns taxistas, eis que, aproveitando novo tufão, se chegou ao ponto de pedir 500 patacas por pessoa (por pessoa, não por corrida!!) para transportar passageiros que não têm outro meio de se deslocar.
Há muito que se ultrapassou o limite do admissível, do tolerável.
Tem que se dizer basta de uma vez por todas.
Como?
Começando a tirar esta escumalha das ruas de Macau caçando-lhes permanentemente as licenças de condução profissional.
Enquanto não houver coragem política para dar este passo, e efectivamente implementá-lo (the law in the books tem poucos efeitos com estes cleptómanos, terá mesmo que se recorrer à law in action) episódios verdadeiramente vergonhosos e revoltantes vão repetir-se e só terão tendência a agravar-se.

Francisco sobre: 4. o diálogo ecuménico e inter-religioso (Anselmo Borges)


Ainda os diálogos do Papa Francisco e de Dominique Wolton: Politique et société. Se há palavra que atravessa o livro todo é a palavra diálogo. "Como é que a Igreja poderia contribuir hoje para a mundialização?", pergunta Wolton. E Francisco: "Pelo diálogo. Penso que sem diálogo hoje não é possível. Mas um diálogo sincero, mesmo se for preciso dizer na cara coisas desagradáveis." Foi a avó que lhe abriu as portas da "diversidade ecuménica". Criança, viu umas senhoras do Exército da Salvação e perguntou: são freiras? "Não, são protestantes, mas são pessoas boas." De facto, marcou-o, pois, por exemplo, estamos a celebrar os 500 anos da Reforma e, pela primeira vez, isso acontece com católicos e protestantes, e, depois de tudo quanto na Igreja se tinha ouvido sobre Lutero - "os protestantes iam para o inferno" -, Francisco veio dizer que ele foi "um pioneiro religioso, uma testemunha do Evangelho e um mestre da fé... A intenção de Lutero foi renovar a Igreja, não dividi-la. Era um reformador. Havia corrupção na Igreja, mundanismo, obsessão pelo dinheiro, pelo poder". E encontrou--se com o patriarca de Constantinopla, pedindo-lhe a bênção, e com o de Moscovo.
O diálogo, e concretamente o diálogo inter-religioso, "não significa porem-se todos de acordo. Não. Significa caminhar juntos, cada um com a sua própria identidade". Wolton: "E, no diálogo com o Islão, não seria necessário pedir um pouco de reciprocidade? Não há verdadeira liberdade para os cristãos na Arábia Saudita e nalguns países muçulmanos. É difícil para os cristãos. E os fundamentalistas islamistas assassinam em nome de Deus." Francisco: "Eles não aceitam o princípio da reciprocidade. Alguns países do Golfo também são abertos e ajudam-nos a construir igrejas. Porque é que são abertos? Porque têm trabalhadores filipinos, católicos, indianos... O problema na Arábia Saudita é uma questão de mentalidade. Todavia, com o islão, o diálogo avança bem, porque, não sei se sabe, o imã da Universidade de Al--Azhar, no Cairo, Ahmed Mohamed el-Tayeb, veio visitar-me e eu retribuí a visita. Penso que lhes faria bem a eles fazerem um estudo crítico do Alcorão, como nós fizemos com a nossa Bíblia. O método histórico e crítico de interpretação fá-los-á evoluir."
Francisco reconhece, portanto, que para o diálogo inter-religioso é fundamental não tomar os livros sagrados à letra: é necessária uma leitura histórico- crítica. Outro princípio essencial para a liberdade religiosa e a paz entre as religiões tem que ver com a laicidade do Estado, isto é, o Estado não pode ser confessional, o Estado deve ser laico. Para garantir a liberdade religiosa de todos: ter esta religião ou aquela, nenhuma, poder mudar de religião. Francisco: "O Estado laico é uma coisa sã. Há uma sã laicidade. Jesus disse-o: é preciso dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Somos todos iguais diante de Deus." Mas laicidade não é laicismo. Neste, constrói-se "um imaginário colectivo no qual as religiões são vistas como uma subcultura". É necessário "elevar" um pouco o nível da laicidade mediante "a abertura à transcendência". Que quer dizer "um Estado laico "aberto à transcendência"? Que as religiões fazem parte da cultura, que não são subculturas. Quando se diz que não se deve colocar cruzes visíveis ao pescoço ou que as mulheres não devem levar isto ou aquilo, é uma estupidez. Porque uma e outra atitude representam uma cultura. Um leva uma cruz, outro outra coisa, o rabino a kipa, o papa o solidéu" [risos]. "Esta é a sã laicidade. Há exageros, nomeadamente quando a laicidade é colocada acima das religiões. Porventura as religiões não fazem parte da cultura? Serão subculturas?"
Wolton pergunta como é possível chegar ao diálogo com os ateus e os não crentes. Francisco responde que fazem parte da realidade. Há pontos de vista diferentes, mas "a realidade é a verdade". As pontes são o nosso diálogo. Mas deve partir-se da realidade, não da teoria, e "procurar juntos, é um caminho de busca. Procurar". Wolton insiste: "Seja como for, que fazer? Os ateus fizeram muito pela libertação social, política, pela democracia desde o século XVIII. O que é que a Igreja faz? A Igreja diz muitas vezes que "os espera". Mas se são ateus não precisam da vossa espera. Então, como dialogar? Que fazer com os ateus? Porque a Igreja matou muitos..." Francisco: "Noutras épocas, alguns diziam: "Deixai-os tranquilos, irão para o inferno."" Wolton: "Claro" [risos]. Francisco: "Mas nunca devemos falar com adjectivos. A verdadeira comunicação faz-se com substantivos. Isto é, com uma pessoa. Essa pessoa pode ser agnóstica, ateia, católica, judia..., mas isso são adjectivos. Eu, eu falo com uma pessoa. É um homem, é uma mulher, como eu. Um jovem perguntou-me na Polónia: "Que dizer a um ateu?" Respondi-lhe: "A última coisa que deverás fazer é pregar a um ateu. Tu deves viver a tua vida, tu escuta-lo, mas não deves fazer apologia". O diálogo deve fazer-se com a experiência humana. Podemos falar de muitos temas que temos em comum: problemas éticos, coisas humanas. Do que pensamos, dos problemas humanos, como comportar-se... Podemos debater sobre o desenvolvimento humano. E quando se chega ao problema de Deus, cada um diz a sua escolha. Mas escutando o outro com respeito... Podemos falar sem medo - tu és ateu, eu não... mas falemos. Ambos acabaremos no mesmo lugar. Seremos ambos comidos pelos vermes!"
Wolton: "O que é mais difícil: o diálogo ecuménico ou o diálogo inter-religioso?" Francisco: "Segundo a minha experiência, diria que o inter-religioso foi mais fácil do que o ecuménico. Tive muitos diálogos ecuménicos e gosto muito. Mas, se compararmos, o inter--religioso foi mais fácil para mim. Porque se fala mais do homem..." Wolton: "Quando se está próximo, tudo é difícil. Quando se está afastado, é mais fácil. É estranho."

DN 13.10.2017

16 de outubro de 2017

CÚMULOS


Qual é o cúmulo da incompetência ?
– Deixar o bichinho virtual escapar.

Qual é o cúmulo da lentidão?
– Fazer uma corrida sozinho e chegar em segundo.

Qual é o cúmulo da má pontaria ?
– Atirar uma pedra no chão e errar.

Qual é o cúmulo da ingratidão ?
– Dar ao seu pai um vidro com esperma e dizer: “Toma, agora eu não te devo mais porra nenhuma !”

Qual é o cúmulo da preguiça?
- Casar com uma mulher grávida de outro.
- Deitar-se numa rede e esperar que o vento a balance.

Qual é cúmulo da paciência ?
– Limpar o cu a um elefante com cotonetes!
– Catar piolhos com luvas de boxe!
– Colocar um cagalhão numa gaiola e esperar que ele cante!
– Esvaziar uma piscina com conta-gotas!

Qual é o cúmulo do absurdo?
– O mudo dizer para o surdo que o cego viu o aleijado correr.
-Ser atropelado por uma ambulância.

Qual é cúmulo da economia ?
-Usar o papel higiénico dos dois lados

Qual é o cúmulo da distracção ?
-Na lua de mel, levantar da cama, deixar 100 euros na mesinha de cabeceira e ir embora.

Qual é o cúmulo da rapidez?
– Fechar uma gaveta à chave e colocar a chave lá dentro.
– Cagar da janela do 25º andar de um edifício, descer a correr pelas escadas e ao chegar à rua olhar para cima e ver o cu a fechar.
– Ir ao enterro de um parente e encontrá-lo vivo.

Qual é cúmulo o da rebeldia?
– Morar sozinho e fugir de casa.

Qual é cúmulo o da traição?
– Suicidar-se com uma punhalada nas costas.

Qual é o cúmulo da vaidade?
– Engolir um baton para passar na boca do estômago.
– Comer uma rosa para enfeitar os vasos sanguíneos.

BOA SEMANA!

13 de outubro de 2017

Fases da vida


Eu acho que o ciclo da vida está virado todo de trás para a frente.

Nós deveríamos morrer primeiro, livrar-se logo disso.

Depois viver num asilo até ser chutado para fora de lá por estar muito novo.

Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar.

Então trabalhar 40 anos até ficar suficientemente novo para poder aproveitar a reforma.

Chega a época de curtir bastante, beber bastante álcool, fazer festas e fazer a preparação para a faculdade.

Depois a ida para a escola, ser criança, não ter nenhuma responsabilidade, tornar-se um bebezinho de colo, voltar para o útero da mãe e passar os seus últimos nove meses de vida flutuando.

Finalmente tudo terminar com um óptimo orgasmo!!!

BOM FIM-DE-SEMANA!

12 de outubro de 2017

Independència diferit


Carles Puigdemont proclamou a independência da Catalunha.
Para logo a seguir declarar independència diferit (independência adiada).
Entalado entre as ambições independentistas de uma parte do povo catalão, supostamente legitimadas por um referendo convocado à margem da lei e sem qualquer validade constitucional, e as pressões, internas e externas, dos que tratam a questão como secessão, Carles Puigdemont, a cara e a voz dos independentistas catalães, preferiu adiar uma qualquer tomada de posição definitiva.
E conseguiu com este passo supostamente agradar a todos sem efectivamente agradar a ninguém.
Os líderes do movimento independentista catalão perceberam que qualquer declaração unilateral de independência os deixaria isolados e estaria condenada ao fracasso.
Sem apoio externo, com uma forte oposição interna, inclusivamente a dar origem a tomadas de posição extremas (deslocação de empresas muito importantes no tecido económico catalão como maior exemplo dessa realidade), Carles Puigdemont carregou na tecla pause.
Entretanto, de Madrid, acentuavam-se o tom de reprovação e as ameaças.
Agora a ameaça de  invocar o artigo 155º da Constituição e suspender o estatuto autonómico catalão antes da convocação de eleições regionais.
A palavra diálogo vai sendo repetida à exaustão enquanto a realidade vai mostrando cada um a falar para seu lado.
Não é fácil prever o que acontecerá no futuro em Espanha agora que Carles Puigdemont declarou formalmente independència diferit e Madrid acentua a sua posição de força e a sua total oposição às ambições independentistas que chegam da Catalunha.
Mas não será muito arriscado prever que o caos político em Espanha  segue dentro de momentos.

Intemporais (88)

11 de outubro de 2017

Missão cumprida


Portugal bateu a Suíça e apurou-se directamente para o Mundial a realizar na Rússia no próximo ano.
Em boa verdade imperou a lei do mais forte e apurou-se quem era favorito.
Portugal, campeão europeu em título, tem a obrigação de vencer a Suíça.
E foi isso que ontem aconteceu.
Sem grandes brilhantismos, sem nota artística elevada, com alguma sorte (o autogolo deu um jeitão), com naturalidade.
Os suíços apresentaram-se no Estádio da Luz muito arrumadinhos, muito certinhos, muito fiáveis, muito à imagem dos célebres relógios que fabricam e tanta fama e fortuna deram ao país.
Pouco ou nada incomodaram os portugueses, os quais, por sua vez, apresentaram alguma dificuldade em fazer a máquina suíça emperrar.
Mesmo os relógios mais famosos e fiáveis precisam de manutenção e têm falhas.
Raramente, mas têm falhas.
E o relógio suíço falhou e escancarou as portas do apuramento aos portugueses.
Quando aquele autogolo aconteceu julgo que, se dúvidas houvesse acerca do apuramento directo, se terão dissipado naquele exacto momento.
Os suíços não ameaçavam, não se mostravam capazes de incomodar os portugueses.
Bastava ser paciente, inteligente, eventualmente esperar por nova falha num mecanismo bastante bem oleado.
Os Silvas (Bernardo e André) provocaram essa falha e o apuramento ficou selado.
Missão cumprida.

RERUM ESQUISITUM - (BOCA DO INFERNO - Ricardo Araújo Pereira)


Um grupo de teólogos conservadores acusou o Papa Francisco de heresia. Era previsível. O Papa tem dito coisas que fazem certos crentes benzerem-se – o que constitui uma operação teológica bastante paradoxal, em que o Papa simultaneamente estimula o comportamento moral e imoral. Mas também era previsível porque o ambiente geral é de identificação e condenação de heresias. Teólogos laicos igualmente puritanos já tinham acusado Chico Buarque de machismo e Ney Matogrosso de homofobia. Era uma questão de tempo até que teólogos religiosos acusassem o Papa de heresia.
Do ponto de vista teológico, a atitude destes últimos é mais arriscada: os teólogos laicos que acusaram Chico Buarque de machismo e Ney Matogrosso de homofobia limitaram-se a ir contra as evidências – e este tipo de teólogo nunca permitiu que as evidências modificassem a sua acção. Mas os teólogos que acusam Francisco de heresia estão em choque com um dogma. E o dogma tem, sobre as evidências, a grande vantagem de não precisar de ser evidente para se impor. Sucede que a infalibilidade papal é um dogma. Quando o Santo Padre faz deliberações em assuntos de moral e fé (que são as matérias que os teólogos contestam), nunca erra. 
A razão para isso é difícil de contestar: quando trata desses temas, o Papa é assessorado pelo Espírito Santo. Os teólogos que o acusam de heresia estão, por isso, a acusar de herege o Espírito Santo. É frequente depararmos com situações em que alguém é mais papista do que o Papa. Mas julgo que é a primeira vez que alguém é mais espiritosantista que o Espírito Santo.
Entre outras coisas, o Papa manifestou abertura para saber se os católicos divorciados que voltam a casar poderiam, contrariamente ao que se permite agora, voltar a comungar. Ter-se-á passado o seguinte: o Espírito Santo, tomando em consideração as mudanças sociais ocorridas nos últimos dois mil anos, terá segredado ao Papa que talvez não fizesse sentido manter proibições um bocadinho retrógradas. O Papa, tomando boa nota da sugestão do seu assistente, e provavelmente concordando com ela, resolveu levantar a questão. Foi então que vários teólogos, mentalmente menos jovens do que o Espírito Santo, se opuseram à medida. O Espírito Santo, segundo eles, não percebe nada das coisas sagradas. Como ateu, não saberia pronunciar-me. Mas talvez possam ter razão. Que o Papa seja dado a heresias é estranho, mas possível. Pelo menos mais provável do que a homofobia do Ney Matogrosso.

Crónica publicada na VISÃO 1282 de 28 de Setembro

10 de outubro de 2017

Discriminação positiva?


A recente proposta de diferenciar as tarifas de autocarros para os residentes permanentes e os não residentes foi apresentada como uma medida que teria como finalidade discriminar positivamente os residentes permanentes.
A definição mais comum de discriminação positiva ensina-nos que discriminação positiva é um tipo de discriminação que tem como finalidade seleccionar pessoas que estejam em situação de desvantagem tratando-as desigualmente e favorecendo-as com alguma medida que as tornem menos desiguais. É um processo que tem como objectivo tornar a sociedade mais igualitária diminuindo os desequilíbrios que existem em certos grupos sociais.
A proposta apresentada pelo Conselho Consultivo do Trânsito, aparentemente com a concordância do Executivo, parece caminhar em sentido rigorosamente oposto.
Não são os residentes permanentes, com melhores condições de vida e mais protecção social, que devem ser discriminados positivamente.
Se for essa a ratio legis então a proposta terá que ser toda reformulada e apresentar tarifas mais elevadas para os residentes permanentes e não para os residentes não - permanentes.
Uma proposta que não se entende, que está muito mal explicada, que não faz sentido nenhum.
Que tal parar um pouco para pensar?
Valerá a pena apresentar semelhante proposta?
Se for, e tenho sérias dúvidas que seja, terão que ser aduzidas razões muito concretas e ponderosas para o fazer.
Nunca, mas mesmo nunca, nos moldes agora dados a conhecer, discriminação positiva.